Dólar fecha em alta frente ao real
O dólar iniciou a semana com um desempenho positivo em relação ao real, impulsionado pelo aumento do receio de uma possível intervenção do governo Trump no Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira, dia 12, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão cotado a R$ 5,3725, com uma alta de 0,12%.
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Esse movimento contrariou a tendência observada no mercado externo. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, um índice que compara o dólar com uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, registrava uma queda de 0,27%, situando-se em 99,860 pontos.
Fatores que influenciaram o dólar
O receio em relação a uma possível intervenção do governo Trump junto ao Federal Reserve foi um dos principais fatores que impactaram a moeda norte-americana.
No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou processar o presidente do Fed, Jerome Powell, devido a comentários feitos por Powell ao Congresso sobre um projeto de reforma relacionado ao Banco Central.
Em declaração neste domingo, dia 11, Powell afirmou que a ação do governo constituiu um “pretexto” para aumentar sua influência sobre as taxas de juros, as quais Trump deseja que sejam reduzidas consideravelmente.
“Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou o Fed com intimações de um grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento à Comissão Bancária do Senado em junho do ano passado”, afirmou Powell. “Eu tenho um profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém – absolutamente ninguém, incluindo o presidente do Fed – está acima da lei.”
“Contudo, essa ação sem precedentes deve ser analisada no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua por taxas de juros mais baixas, além de uma maior influência sobre o Fed”, acrescentou.
Na segunda-feira, dia 12, a Casa Branca comunicou que Trump não orientou os membros do Departamento de Justiça a investigar Powell.
Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, considerou o episódio como uma ameaça significativa, especialmente no contexto de desacordos sobre a política monetária, em que tais investigações surgem.
“Essa situação não implica apenas uma crescente incerteza em relação à credibilidade institucional, dado que busca minar a autonomia do Fed, mas também provoca um questionamento maior sobre a trajetória das taxas de juros”, avaliou Lobo.
“Conforme esse risco se torna mais palpável, os ativos americanos podem perder atratividade para os investidores, o que reforça a tendência de diversificação global, direcionando o capital para outras regiões ou para ativos de proteção, como o ouro”, completou.
Cenário econômico no Brasil
Por sua vez, no âmbito doméstico, os investidores analisaram os dados do Boletim Focus. Os economistas consultados pelo Banco Central (BC) revisaram para baixo a projeção da inflação de 2026, passando de 4,06% para 4,05%.
Relativamente à Selic, a expectativa do mercado permaneceu estável pela terceira semana consecutiva, fixando-se em 12,25% ao ano para dezembro. Além disso, a previsão para o câmbio é de que encerre o ano em R$ 5,50, enquanto a economia brasileira deverá crescer 1,80% em 2026.
Adicionalmente, o Tesouro Nacional revisou significativamente suas previsões para a dívida pública bruta do Brasil, considerando o nível elevado das taxas de juros no país, e indicou uma trajetória de aumento no endividamento até 2032, ao atingir 88,6% do PIB.
Fonte: www.moneytimes.com.br