Dólar dispara para R$ 5,06, com valorização superior a 3% devido ao ‘risco Flávio’ e tensões no Oriente Médio

O dólar à vista apresentou uma valorização significativa, em um cenário de aversão ao risco, impulsionado tanto pelo ambiente geopolítico quanto pelas expectativas de riscos eleitorais dentro do país.

Dólar à Vista e Suas Cotações

Nesta sexta-feira, dia 15, o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações cotado a R$ 5,0678, marcando uma alta de 1,63%. Durante as negociações, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,0818 (+1,92%), atingindo o maior nível intradia em quase um mês.

O desempenho do dólar reverberou também nas movimentações internacionais. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que é um indicador que compara a moeda americana a uma cesta com seis divisas globais, incluindo euro e libra, mostrava uma valorização de 0,47%, situando-se em 99.292 pontos.

No contexto semanal, o dólar acumulou uma valorização de 3,55% em relação ao real.

Impactos do Cenário Político e Econômico

O mercado de câmbio retomou a precificação do risco eleitoral, ofuscando a valorização do petróleo, um fator que normalmente beneficiaria o real, uma vez que o Brasil é um importante exportador de commodities.

Recentemente, o mercado também repercutiu a relação entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Revelações sobre Financiamentos e Candidatura

Uma reportagem divulgada na quarta-feira, dia 13, pelo Intercept Brasil, revelou que mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro indicam a existência de uma negociação. Nesse acordo, Vorcaro teria se comprometido a repassar um valor total de US$ 24 milhões – aproximadamente R$ 134 milhões na cotação atual – para financiar a produção do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está preso por acusação de tentativa de golpe de Estado.

Analistas do mercado avaliam que essa possível conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pode levantar questionamentos sobre a viabilidade da candidatura do senador à Presidência nas eleições marcadas para outubro, tendo em vista que ele é considerado um dos principais candidatos representando a direita.

Durante uma entrevista à CNN Brasil, Flávio Bolsonaro afirmou que as revelações relacionadas às conversas com o ex-banqueiro, que se encontra preso pela Polícia Federal sob suspeitas de fraude financeira, não afetarão sua pré-candidatura à Presidência.

“Eu sabia que isso, por mais que pudesse ser utilizado contra mim, não vai, no fim das contas, impactar a minha pré-candidatura. É um tema fácil de explicar e entender, mas existem pessoas que parecem estar a serviço do governo, desejando que Lula seja reeleito”, declarou Flávio.

O senador enfatizou que seguirá firme na disputa pelo Palácio do Planalto.

Na mesma ocasião, o Intercept reportou que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, e a Polícia Federal está investigando se o dinheiro investido por Vorcaro para o filme biográfico teria sido utilizado para cobrir despesas do deputado enquanto estava nos Estados Unidos.

Durante a entrevista, Flávio também esclareceu que seu irmão, Eduardo, não gerenciou a quantia. “Na verdade, ele foi alguém que aportou recursos próprios nesse projeto”, afirmou.

Incertezas Geopolíticas e Seus Efeitos no Mercado

Internacionalmente, o dólar também se fortaleceu em razão da decepção gerada pela visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. O mercado esperava avanços efetivos nas negociações de paz no Oriente Médio, contando com a mediação de Pequim, que é um importante aliado e maior comprador de petróleo do Irã — no entanto, tais avanços não ocorreram.

Diante da continuidade do impasse em torno de um cessar-fogo entre Washington e Teerã, os preços do petróleo apresentaram uma forte alta, com o barril do Brent se aproximando dos US$ 110. Isso intensifica as preocupações sobre possíveis impactos inflacionários decorrentes dos preços elevados de energia nas principais economias globais e aumenta a expectativa de que as taxas de juros permaneçam elevadas por um período prolongado.

“A recente alta nos preços do petróleo está possibilitando que o dólar se beneficie de dados recentes que apresentam um tom hawkish e a consequente reprecificação das expectativas de aumento de juros pelo Fed”, comentou o estrategista do ING, Francesco Pesole, em um relatório diário.

Pesole também afirmou que os mercados não obtiveram informações suficientes de Pequim para se mostrarem mais otimistas em relação à situação no Golfo, além de que os dados robustos dos EUA estão aumentando a confiança em uma elevação de juros pelo Federal Reserve.

Aqui no Brasil, os traders já consideram a possibilidade de um aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em janeiro de 2027, após a divulgação de dados de inflação ao consumidor e ao produtor que superaram as expectativas para o mês de abril e atingiram os maiores níveis observados desde 2023 e 2022, respectivamente.

“O principal fator de pressão continua a ser o mercado de títulos soberanos: os Treasuries norte-americanos de 10 anos alcançaram máximas não vistas desde o primeiro semestre do ano passado, com as apostas de mercado previsando aumento nos juros pelo Fed ainda em 2026, representando uma mudança significativa em relação às previsões de afrouxamento que eram esperadas no início do ano”, declarou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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