Dólar em alta antes da Super Quarta: Expectativas para Copom e Fed enquanto petróleo recua no mercado internacional

Mercado de Câmbio e Expectativas

O mercado de câmbio no Brasil apresentou um cenário de intensa expectativa, resultando em uma desvalorização do real em relação ao dólar. Na terça-feira, dia 16 de junho, a cotação da paridade entre o dólar norte-americano e o real brasileiro (FX:USDBRL) encerrou o pregão com uma alta de 0,39%, estabelecendo-se em R$ 5,0867. Essa movimentação reflete a ansiedade dos investidores em face da iminente “Super Quarta”, que trará decisões significativas sobre as taxas de juros tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Apesar de uma diminuição nas tensões geopolíticas globais, o mercado interno optou por uma postura mais cautelosa e defensiva, ajustando suas posições antes dos anúncios relacionados à política monetária que deverão delinear os próximos passos econômicos.

Fatores que Influenciam a Moeda Norte-Americana

Dois fatores internos impactaram significativamente o comportamento da moeda norte-americana no Brasil. O primeiro foi a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação à taxa Selic, que será divulgada na quarta-feira, dia 17 de junho. As opções disponíveis indicavam uma probabilidade de 66,8% de um corte de 25 pontos-base, o que reduziria a taxa de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano, marcando o último ajuste do ciclo de “calibração” monetária iniciado em março. O segundo fator foi a influência do mercado de commodities, que teve um efeito negativo sobre o real. O barril do petróleo Brent (CCOM:OILBRENT) fechou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março. Segundo o analista Bruno Shahini, da Nomad, essa queda acentuada enfraqueceu os termos de troca da economia brasileira na bolsa de valores, reduzindo o suporte tradicional que os preços das commodities, especialmente o petróleo, exercem para fortalecer a nossa moeda.

Comportamento Internacional do Dólar

No exterior, o desempenho da moeda norte-americana foi distinto do cenário observado no mercado brasileiro. O índice DXY (CCOM:DXY), que avalia a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, registrou uma leve redução de 0,06%, situando-se em 99,568 pontos por volta das 17 horas. Um dos destaques internacionais foi a decisão do Japão, que aumentou suas taxas de juros para 1% ao ano, o nível mais alto em 31 anos. Nos Estados Unidos, as atenções se voltaram para a estreia de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve. A ferramenta FedWatch indicava 99,4% de probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na quarta-feira (17/06). No contexto geopolítico, o presidente Donald Trump confirmou nas reuniões do G7 que o memorando provisório com o Irã assegura que o país não obterá armas nucleares. Essa assinatura, agendada para sexta-feira (19/06), promete um cessar-fogo e a liberação imediata das exportações e serviços comerciais de petróleo, aliviando assim os riscos globais.

Ambiente de Negociações na Bolsa Brasileira

Olhando para o ambiente de negociações futuras na bolsa de valores brasileira, o contrato futuro de dólar (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) apresentou movimentações intensas, refletindo a dinâmica de transição de juros. As variações verificadas nos vencimentos de meses futuros na B3 evidenciaram uma leve distorção em relação ao comportamento do dólar norte-americano à vista. Essa divergência nas oscilações ocorre porque os contratos para liquidação futura têm uma sensibilidade muito maior às projeções de juros tanto no mercado doméstico quanto no externo. Especialmente em um momento em que os investidores estão ajustando suas carteiras e adotando medidas de proteção cambial às vésperas dos anúncios sobre a taxa Selic e dos juros norte-americanos, isso resulta em um prêmio de risco diferenciado para cada vencimento futuro.

Fonte: br.-.com

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