Alta do Dólar Comercial
O dólar comercial (FX:USDBRL) terminou o pregão de sexta-feira, 15 de maio, com uma expressiva valorização de 1,63%, sendo cotado a R$ 5,067. Esse movimento reflete um cenário marcado pela aversão global ao risco e por uma pressão significativa sobre as moedas de mercados emergentes. A situação se deteriorou ainda mais diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, aumentando as tensões geopolíticas e elevando os preços do petróleo. Esse contexto reforçou a preocupação com uma inflação persistente na economia norte-americana, resultando em crescentes expectativas de que o Federal Reserve possa elevar novamente as taxas de juros ainda neste ano, o que fortaleceu a moeda americana no mercado internacional. No âmbito doméstico, o clima político instável também contribuiu para a volatilidade do câmbio, em meio a preocupações relacionadas a riscos políticos e à questão fiscal. Ao longo da semana, o dólar acumulou um aumento de 3,48%, embora ainda apresente uma queda de 7,70% no total do ano de 2026.
Reação dos Investidores
Os investidores enfrentaram uma sessão repleta de reações a uma combinação de fatores, tanto externos quanto internos, que ampliaram a pressão sobre o real no dia 15 de maio. No cenário externo, a intensificação das tensões entre EUA e Irã manteve o mercado em estado de alerta, especialmente após declarações mais contundentes do presidente norte-americano, Donald Trump, e a postura assertiva de Teerã nas negociações diplomáticas. O fechamento do Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo e gás também contribuiu para o aumento dos preços do barril de petróleo Brent (CCOM:OILBRENT), reacendendo assim os temores inflacionários globais. No plano interno, o mercado monitorou atentamente os desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, um caso que elevou a percepção de risco político e gerou incertezas sobre o cenário fiscal e eleitoral. O sentimento predominante no mercado é de que um ambiente político mais instável pode dificultar a implementação de ajustes nas contas públicas, um fator que pesou diretamente sobre o desempenho do real durante o pregão.
Fortalecimento do Dólar no Mercado Internacional
No âmbito internacional, o fortalecimento da moeda americana se deu em consonância com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) e a busca global por alternativas mais seguras, em meio ao agravamento do ambiente geopolítico. O índice DXY (CCOM:DXY), que avalia o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, ganhou força à medida que os investidores começaram a considerar a possibilidade de juros mais elevados nos Estados Unidos por um período mais prolongado. A continuidade do conflito no Oriente Médio e as incertezas em torno de um eventual acordo entre Washington e Teerã mantiveram a demanda por ativos considerados seguros. O dólar valorizou-se em relação a várias moedas emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, refletindo o aumento da aversão ao risco no mercado global. A disparada nos preços do petróleo também reforçou as preocupações relacionadas à inflação, especialmente após as declarações de Trump, que afirmou que sua paciência com o Irã “está se esgotando”. Por outro lado, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, externou desconfiança nas negociações conduzidas pelos EUA.
Mercado Futuro da B3
No mercado futuro da B3, os contratos de dólar (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) também encerraram a sessão com forte valorização, alinhando-se ao movimento observado no câmbio à vista, embora com intensidade um pouco menor. O contrato para junho, atualmente o mais líquido do mercado, avançou 1,53%, atingindo R$ 5,081, ficando ligeiramente abaixo da alta de 1,63% registrada pelo dólar comercial. A discrepância entre os contratos futuros e o mercado à vista reflete ajustes técnicos, além do apetite dos investidores em relação a juros, inflação e riscos fiscais nos meses seguintes. Ao longo da sessão, os operadores ampliaram suas posições defensivas em meio a um cenário geopolítico deteriorado e uma crescente cautela em relação ao ambiente interno. O fluxo para proteção cambial também aumentou na reta final do pregão, evidenciando um tom mais conservador no mercado futuro brasileiro.
Fonte: br.-.com

