Dólar encerra o dia quase estável a R$ 4,89 em meio a dados de inflação e incertezas geopolíticas.

Análise do Mercado de Câmbio

O dólar à vista encerrou o dia próximo à estabilidade, em meio à divulgação de dados de inflação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, além de aumentar a tensão geopolítica no Oriente Médio.

Fechamento do Dólar

Na terça-feira, dia 12, o dólar à vista (USDBRL) fechou as negociações cotado a R$ 4,8954, apresentando uma leve alta de 0,08%. Esse movimento acompanhou o desempenho da moeda no mercado internacional.

Desempenho do DXY

Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, que é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,30%, alcançando 98,257 pontos. Esse cenário reflete uma resposta do mercado de câmbio às movimentações internacionais e à atenção voltada para as relações entre os Estados Unidos e o Irã.

Tensão Geopolítica

A instabilidade no Oriente Médio tem sido um fator preponderante na avaliação do mercado. O parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei declarou que o Irã pode enriquecer urânio a até 90% de pureza se vier a sofrer mais ataques, aumentando as preocupações em torno de segurança e diplomacia na região. Rezaei, que atua como porta-voz da comissão de Segurança Nacional e Política Externa no parlamento iraniano, comentou sobre a possibilidade de discutir essa estratégia em uma sessão futura do Parlamento.

Expansão de Definições

Além disso, o Irã ampliou a sua definição do Estreito de Ormuz, considerando uma “vasta área operacional” que se estende muito além dos limites anteriores estabelecidos antes dos conflitos em curso, de acordo com informações de um oficial sênior da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Análise da Inflação no Brasil e nos EUA

No campo econômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou a maior taxa para o mês desde 2022. O IPCA apresentou uma alta de 0,67%, em contrapartida ao avanço de 0,88% registrado em março. Esse resultado está em linha com a mediana da pesquisa “Projeções Broadcast”.

Acúmulo de Inflação

Nos últimos 12 meses, a inflação também demonstrou uma aceleração, passando de 4,14% em março para 4,39% em abril. Esse índice está próximo do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%.

Índice de Preços ao Consumidor dos EUA

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) aumentou 0,6% em abril, após uma elevação de 0,9% em março. Essa informação foi divulgada pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam essa alta de 0,6%, com estimativas variando entre 0,4% e 0,9%.

Comparativo Anual

Em uma avaliação mais ampla, nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor avançaram 3,8%. Esse aumento representa a maior variação anual desde maio de 2023 e segue um crescimento de 3,3% em março, reforçando as expectativas de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve manter as taxas de juros inalteradas por um período considerável.

Percepção do Mercado

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar teve leve alta durante a sessão, seguindo o fortalecimento global da moeda americana. Esse movimento é consequência do aumento da aversão a risco, provocado tanto pelo impasse nas relações entre os EUA e o Irã quanto pela elevação das tensões no Estreito de Ormuz.

Preocupações Inflacionárias

A alta no preço do petróleo, com o Brent acima de US$ 107, reacendeu preocupações com a inflação e pressionou os yields das Treasuries. Isso reforçou a percepção de que os juros nos Estados Unidos deverão permanecer elevados por um período prolongado, especialmente após a divulgação do CPI que superou as expectativas de analistas.

Resiliência do Real

No Brasil, embora o IPCA tenha se mostrado alinhado às expectativas, a composição mais ampla da inflação trouxe uma postura cautelosa por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar disso, o real mostrou certa resiliência ao longo do dia, sustentado por condições de troca favoráveis, fluxo associado ao setor de commodities e um diferencial de juros doméstico ainda elevado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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