Dólar perde força ante o real
O dólar à vista (USDBRL) apresentou uma diminuição de valor em relação ao real, seguindo a mesma tendência evidenciada no mercado internacional. Esse movimento ocorreu em meio a um cenário de cautela nas questões geopolíticas, juntamente com a divulgação de dados mais robustos sobre a inflação tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Nesta quinta-feira, dia 26, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,1340, com uma leve queda de 0,10%.
Durante a semana, a divisa apresentou uma desvalorização acumulada de 0,81% em relação ao real. No intervalo de um mês, a redução chegou a 2,16%.
Às 17h03 (hora de Brasília), o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, incluindo euro e libra, registrava uma queda de 0,20%, marcando 97.594 pontos.
Fatores que impactaram o mercado cambial
O analista de investimentos da Nomad, Bruno Shahini, observou que diversos fatores externos, como a mencionada cautela geopolítica, a divulgação de dados de inflação mais elevados nos Estados Unidos e ajustes técnicos relacionados à formação da Ptax, contribuíram para manter a demanda pela moeda americana.
Ainda segundo Shahini, no cenário interno, a atratividade do diferencial de juros brasileiros se manteve, especialmente após a divulgação do IPCA-15, que superou as expectativas do mercado. Essa situação elevou os mercados de DI, reforçando o diferencial de juros e limitando oscilações mais acentuadas no câmbio. Os mercados apresentaram uma tendência de baixa, com o valor do dólar oscilando em uma faixa restrita.
O especialista destacou que o real voltou a se destacar entre as moedas de países emergentes, beneficiado pelo elevado carry devido ao diferencial de juros nacional. O fluxo de capital estrangeiro continua positivo, refletindo em entradas tanto na bolsa de valores quanto no mercado de renda fixa, fatores que contribuem para a solidez do real.
O que influenciou o dólar nesta quinta-feira?
No âmbito internacional, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) revelou um aumento de 0,5% em janeiro, em comparação a dezembro de 2025, conforme divulgado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos nesta sexta-feira. Ao se comparar com o mesmo período do ano anterior, o PPI cresceu 2,9% em janeiro.
Analistas consultados pela FactSet previam altas de 0,3% e 1,6%, respectivamente, para os mesmos períodos.
Os dados indicam que os preços ao produtor nos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado. Esse aumento pode ser um reflexo do repasse, por parte das empresas, dos custos mais altos das tarifas de importação, sugerindo que a inflação pode acelerar nos meses seguintes.
As bolsas de valores de Wall Street apresentaram uma performance negativa após a divulgação desses dados de inflação.
Do ponto de vista geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou que não está satisfeito com as ações do Irã e expressou o desejo de alcançar um acordo com o governo iraniano, mas alertou que “às vezes é necessário” recorrer à força militar.
Em declarações a repórteres ao deixar a Casa Branca com destino ao Texas, Trump afirmou que o Irã ainda não demonstrou disposição em renunciar ao desenvolvimento de armas nucleares, conforme solicitado pelos Estados Unidos.
Além disso, o presidente americano mencionou a possibilidade de uma “tomada de controle amigável” de Cuba, indicando que o secretário de Estado, Marco Rubio, está tratando do assunto em um “nível muito alto”.
Dados da inflação no Brasil
No que diz respeito ao cenário interno, a prévia da inflação, que é aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), apresentou um aumento de 0,84% em fevereiro, conforme informações divulgadas pelo IBGE. Acumulou uma alta de 4,10% em um período de 12 meses.
Esse número representou uma aceleração em relação à variação de +0,20% que foi registrada em janeiro, mantendo-se dentro do limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
A expectativa era de que o índice apresentasse um aumento de 0,56% neste mês, conforme a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.
Fonte: www.moneytimes.com.br