Dólar recua enquanto aguarda ata do Copom após comunicado ‘difuso’; moeda já subiu 2% na semana.

Desempenho do Dólar em Dia de Baixa Liquidez

O dólar à vista registrou uma correção em relação aos ganhos obtidos na sessão anterior, em um dia marcado pela baixa liquidez nos mercados devido ao feriado nos Estados Unidos e na China. Os investidores brasileiros continuaram a analisar a reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que abordou a taxa Selic, na expectativa da ata que trará informações adicionais sobre a decisão.

Cotação do Dólar

Nesta sexta-feira (19), o dólar à vista fechou as negociações cotado a R$ 5,1648, apresentando uma queda de 0,20% em relação ao dia anterior.

O desempenho da moeda brasileira foi influenciado pelo comportamento do dólar no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, operava com uma leve diminuição de 0,12%, atingindo 100,734 pontos.

No acumulado da semana, a divisa norte-americana apresentou um aumento de 2,04% em relação ao real.

Atenções no Cenário Econômico

O comunicado "confuso" da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve-se em foco entre os investidores, que aguardam a ata desta reunião, prevista para ser divulgada na próxima terça-feira (23).

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observou que "o mercado continua a incorporar a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, em virtude da comunicação gerada pelo Federal Reserve (Fed)".

Na quarta-feira (17), o Copom divulgou o corte da Selic, reduzindo-a de 14,50% para 14,25% ao ano. Este foi o terceiro corte consecutivo realizado pelo Banco Central, conforme antecipado pelo mercado, e a decisão foi unânime entre os membros do colegiado.

No comunicado, o Banco Central destacou uma piora marginal das projeções de inflação, além do aumento das incertezas no cenário externo, com ênfase nas tensões no Oriente Médio. O banco indicou uma mudança no foco das suas políticas, enfatizando o "ajuste total" do ciclo de política monetária, ao invés de concentrar-se no ritmo dos cortes.

Embora o comunicado tenha deixado a possibilidade de novos cortes na Selic, isso contrasta com a maioria dos principais bancos centrais ao redor do mundo, conforme a análise de economistas.

Expectativas para o Futuro

Um dos principais pontos de atenção para o mercado foi a sinalização antecipada relacionada à "rolagem" do horizonte relevante da política monetária na próxima decisão do Copom. Em termos práticos, o Banco Central "adiou" a meta de 3% que estava prevista para o quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Essa mudança reforçou a percepção de que um novo corte da Selic pode ocorrer em agosto, uma interpretação que foi lida pelo mercado como uma indicação de leniência do Banco Central em relação à inflação.

Conforme Shahini comentou, "a combinação de juros domésticos ainda elevados e um ambiente global menos adverso do ponto de vista geopolítico ajudou a manter a estabilidade do real, apesar das preocupações com o cenário fiscal e as recentes indagações sobre a condução da política monetária, que ainda inibem movimentos mais expressivos".

Cenário Geopolítico

No âmbito geopolítico, as incertezas relacionadas a um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã voltaram a ser topics relevantes, especialmente com o cancelamento da cerimônia de assinatura do pacto que estava agendada para esta sexta-feira na Suíça.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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