Participação Acionária do GPA
No início desta semana, a decisão de retirar o mecanismo conhecido como “poison pill” do Grupo Pão de Açúcar (GPA), identificado pelo código PCAR3, permitiu que o acionista Silvio Tini aumentasse sua participação acionária para cerca de 25,795%. Em declaração ao jornal Valor Econômico, o investidor manifestou sua intenção de resgatar a história da companhia.
Alteração na Estrutura Acionária
Na segunda-feira, dia 15, os acionistas do GPA votaram a favor da retirada da cláusula de “poison pill”, que protegia acionistas minoritários contra tentativas de aquisição por investidores externos. Esse dispositivo obriga qualquer investidor que ultrapasse um determinado limite de ações a adquirir todos os papéis da empresa a um valor elevado ou com um prêmio, tornando aquisições hostis muito onerosas e, muitas vezes, inviáveis, com o objetivo de proteger os minoritários.
A mudança foi realizada através da exclusão completa do Capítulo X do estatuto social da empresa. Com isso, acionistas estão agora autorizados a aumentar sua participação acima do limite de 25% sem a necessidade de fazer uma oferta pública de aquisição (OPA), ao contrário das normas que se aplicariam a compras diretas no mercado.
Ascensão de Silvio Tini
Com essa modificação, Silvio Tini, por meio da Bonsucex Holding, conseguiu aumentar sua participação no GPA sem acionar o dispositivo de “pílula de veneno”, que o obrigaria a realizar uma OPA. Esta movimentação o posicionou como o principal acionista da renomada varejista, superando a participação da família Coelho Diniz, que detém 24,9% das ações.
Importante destacar que o sobrenome Coelho Diniz não está relacionado ao falecido empresário Abílio Diniz, que foi uma figura proeminente na popularização da rede Pão de Açúcar no Brasil. A família Coelho Diniz possui uma cadeia de supermercados no interior de Minas Gerais, com mais de 20 lojas em funcionamento.
Relações e Negociações
Em entrevista ao Valor, Silvio Tini declarou que não possui vínculo com outros acionistas, nem relações estreitas com a família Coelho Diniz, porém reconhece a importância da presença de acionistas com experiência no setor de varejo. De acordo com as informações do jornal, Tini está colaborando nas negociações com os credores, no contexto da recuperação extrajudicial que o GPA está enfrentando. Ele considera essa fase crucial para a revitalização da empresa.
Sobre a possibilidade de mudanças na administração do grupo Pão de Açúcar, o investidor afirmou que as operações continuarão como estão, levando em consideração as alterações recentes.
Crise Financeira do GPA
Tini também mencionou que, durante a gestão da família fundadora, o GPA era reconhecido por sua excelência e se destacava como um dos principais grupos do setor no Brasil. Entretanto, ele criticou a gestão sob controle estrangeiro, referindo-se à matriz Casino, como um período de “desmando geral”.
Em março deste ano, o GPA solicitou recuperação extrajudicial, com uma dívida estimada em cerca de R$ 4,5 bilhões a ser renegociada. Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial permite que as empresas em crise financeira tratem diretamente com os credores para reestruturar suas dívidas.
Vantagens da Recuperação Extrajudicial
A intenção desse processo não é recorrer ao Judiciário para a recuperação, mas estabelecer acordos diretamente com os credores a respeito da reestruturação das dívidas. Dessa forma, o procedimento tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais econômico que a recuperação judicial, focando no consenso voluntário para reestruturar os passivos.
O mercado já estava atento à pressão financeira que acompanhava os vencimentos de curto prazo. Antes de solicitar a recuperação, o GPA chegou a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas viáveis que poderiam melhorar seu perfil de endividamento.
Fonte: www.moneytimes.com.br