Desempenho do Dólar na Semana
O dólar fechou a semana apresentando um desempenho negativo, refletindo a agitação provocada por dados econômicos e tensões geopolíticas. Nesta sexta-feira (9), a cotação do dólar à vista (USDBRL) terminou a sessão cotada a R$ 5,3658, com uma queda de 0,43%. Este movimento foi contrário à tendência observada em mercados externos, onde, por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas globais — incluindo euro e libra —, apresentava uma alta de 0,20%, atingindo 99,136 pontos.
No acumulado da semana, a moeda americana registrou uma queda de 1,10% em relação ao real.
Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje
O mercado de câmbio reagiu a dados econômicos relevantes tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. No Brasil, a inflação foi um fator que chamou a atenção dos investidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou no mês de dezembro, mas mesmo assim fechou o ano de 2025 dentro do intervalo de tolerância estabelecido para a meta do Banco Central (BC).
A inflação oficial brasileira subiu 0,33% em dezembro do ano passado, após uma alta de 0,18% em novembro, coincidindo com as expectativas do mercado.
Apesar dessa aceleração, o IPCA encerrou 2025 em 4,26%, o que está em conformidade com a meta do BC, que é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A variação acumulada em 12 meses até dezembro é a menor observada na inflação brasileira desde 2018, quando ficou em 3,75%. Contudo, esse resultado não alterou a expectativa do mercado em relação à trajetória da taxa Selic, com uma forte aposta em um eventual afrouxamento monetário a partir de março.
O economista do C6 Bank, Heliezer Jacob, comentou: “Apesar desse alívio, o cenário ainda é desafiador: os preços de serviços subiram 6% em 2025, sustentados por um mercado de trabalho bastante aquecido. A tendência é que o controle da inflação se mantenha como uma tarefa difícil nos próximos meses, considerando que o desemprego deve continuar em níveis historicamente baixos até 2027”.
Da mesma forma, o economista da XP, Alexandre Maluf, mencionou que os “resultados são consistentes com o quadro de mercado de trabalho aquecido, evidenciado pelos dados do CAGED e da PNAD Contínua”.
Dados Econômicos dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o relatório oficial de empregos, conhecido como payroll, indicou a criação de 50 mil vagas de emprego em dezembro do ano passado, conforme informações do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Este número ficou abaixo das expectativas e resultou no adiamento das projeções sobre a redução da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, para junho.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentou que “o payroll abaixo da expectativa do mercado e o IPCA em linha com o consenso abriram espaço para um dólar mais fraco ao longo do dia, embora esse movimento não tenha sido acompanhado de uma convicção mais estruturada”. Ele também acrescentou que “o dólar tem operado em um intervalo estreito e um movimento de consolidação técnica, dado que não há muitos dados econômicos — tanto locais quanto internacionais — que possam sustentar uma tendência mais clara neste início de ano”.
Outro assunto que também chamou a atenção foi o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Após mais de 25 anos de negociações, a UE aprovou o acordo, que possibilitará a criação da maior zona de livre comércio do planeta, incluindo diversas cláusulas com o intuito de apaziguar a oposição dos agricultores europeus.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o Mercosul assinará o acordo comercial com a União Europeia no dia 17 de janeiro no Paraguai. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, declarou que o governo espera que o acordo entre em vigor ainda em 2026, após a aprovação final de todas as partes envolvidas. Em entrevista a jornalistas, Alckmin afirmou que a assinatura do acordo fortalece tanto o multilateralismo quanto o comércio, além de potencializar os investimentos entre os dois blocos.
Tensões Geopolíticas
O dólar à vista também perdeu força em relação ao real devido à valorização significativa das commodities. O contrato de petróleo Brent, o mais líquido para março, encerrou as negociações em alta de 2,28%, sendo comercializado a US$ 63,34 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, e esse aumento foi influenciado por tensões geopolíticas.
Na última quinta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou seu apoio a um aumento de 50% nos gastos militares, visando alcançar um orçamento de US$ 1,5 trilhão até 2027. O presidente também intensificou seus apelos para que a Groenlândia permaneça sob controle americano e está considerando várias alternativas para que isso se concretize — incluindo ações militares. Em suas declarações, ele ressaltou que a posse da Groenlândia é “psicologicamente importante” para ele, mas desconsiderou desavenças com os europeus, afirmando que “sempre se dará bem com a Europa”.
Além disso, Trump informou que cancelou um segundo ataque à Venezuela, que estava previsto anteriormente, após a cooperação do país sul-americano. Ele destacou que EUA e Venezuela estão colaborando “de forma positiva”, acrescentando que pelo menos US$ 100 bilhões serão investidos por grandes empresas do setor petrolífero na Venezuela.
Fonte: www.moneytimes.com.br