Houthis bombardeiam instalações petrolíferas na Arábia Saudita

Ataques Houthis em Instalações Petrolíferas Sauditas

Militantes houthis do Iémen, alinhados com o Irã, atacaram instalações petrolíferas sauditas em dois portos localizados na costa do Mar Vermelho no último sábado, dia 25 de julho. Neste contexto, os Estados Unidos se abstiveram de realizar ataques aéreos contra o próprio Irã pela primeira vez em duas semanas, levando a comunidade internacional a questionar essa mudança de postura.

Não houve explicação imediata da parte de Washington sobre o motivo que levou à interrupção de uma sequência de 13 noites consecutivas de ataques em retaliação aos ataques iranianos realizados na navegação no Estreito de Ormuz.

O porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Hossein Kermanpour, se manifestou nas redes sociais, afirmando: “Parece que nosso querido Irã teve uma noite tranquila ontem.”

Além disso, não foram registrados, no mesmo dia, ataques do Irã contra seus vizinhos do Golfo, que têm ocorrido diariamente em resposta às ações dos EUA na região. Entretanto, os ataques realizados pelos houthis contra a Arábia Saudita sinalizam uma possível expansão do conflito que pode impactar o transporte de petróleo no Golfo, além de reativar a guerra civil no Iémen.

Guerra Civil no Iémen e Conflito Regional

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, informou que o grupo atacou com sucesso instalações pertencentes à Aramco, a gigante petrolífera estatal saudita, nos portos de Jizan e Yanbu. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra uma densa coluna de fumaça saindo da refinaria da Aramco em Jizan.

Fontes do setor de comércio na Ásia relataram terem recebido informações sobre possíveis danos em instalações de armazenamento de combustível e petróleo em Jizan, mas a Aramco não se pronunciou a respeito. Em relação a Yanbu, foi apurado que dois mísseis balísticos direcionados a instalações petrolíferas foram interceptados por uma bateria do sistema Patriot, fabricado nos EUA e operado na Arábia Saudita por forças armadas gregas, conforme relato de fontes de segurança na Grécia.

Yanbu destaca-se como o principal porto petrolífero da Arábia Saudita no Mar Vermelho, onde milhões de barris são carregados diariamente. Esta rota se tornou um caminho crucial para o petróleo saudita, já que o Estreito de Ormuz se encontra bloqueado pelo Irã. Jizan, localizada próximo à fronteira com o Iémen, abriga uma refinaria com capacidade de 400 mil barris diários.

No Iémen, a Força Aérea, que é apoiada pela Arábia Saudita e reconhecida internacionalmente, atacou locais de lançamento de mísseis e drones dos houthis, além de depósitos de armas nas províncias de Marib e al-Jawf, conforme informado por autoridades iemenitas. De acordo com a aliança militar liderada pela Arábia Saudita, bombardeios de posições militares houthis foram realizados na sexta-feira no porto de Hodeidah, localizado no Mar Vermelho.

Fontes afirmam que ambas as partes envolvidas na guerra civil no Iémen estão mobilizando forças ao longo da linha de frente, sinalizando um aumento nas hostilidades.

Coalizão Saudita e Reações aos Conflitos

A Arábia Saudita lidera uma coalizão árabe que está em combate contra os houthis desde 2015, quando esses combatentes, alinhados com o Irã, capturaram a capital do Iémen, Sanaa.

A guerra civil, que causou a morte de centenas de milhares de pessoas tanto em conflitos diretos quanto devido à fome, havia sido suspensa temporariamente por um cessar-fogo que perdurou até 2022. Entretanto, essa trégua foi rompida recentemente e os houthis se uniram à guerra mais ampla que seus aliados iranianos estão travando após ataques ocorridos pelos EUA e Israel.

Na semana passada, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, com o líder do grupo, Abdul Malik al-Houthi, afirmando que todas as instalações petrolíferas sauditas se tornariam alvos. Essa posição contribuiu para um aumento significativo nos preços globais do petróleo, com o petróleo Brent superando os 100 dólares por barril pela primeira vez desde maio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu, em declarações recentes, que haveria uma “punição militar severa” contra o Irã e os houthis, após estes últimos realizarem ataques em dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

Uma tentativa de cessar-fogo implementada há duas semanas falhou. As forças norte-americanas realizaram ataques a alvos no sul do Irã em resposta à interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Trump também sugeriu que poderia ampliar os alvos para incluir usinas de energia e pontes do Irã, além de enviar forças para tomar o centro petrolífero na Ilha de Kharg, e bombardear instalações subterrâneas associadas ao programa nuclear do país, conhecidas como Pickaxe Mountain.

Ainda assim, na sexta-feira, Trump afirmou que não havia tomado uma decisão sobre novos ataques em larga escala, destacando que o diálogo com o Irã continua. “Estamos conversando com eles,” declarou ele a repórteres na Casa Branca. “Acho que estão levando a sério. Acho que, de longe, estão mais sérios do que já vimos antes, mas isso não significa que chegaremos a esse ponto.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

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