Os futuros das ações dos Estados Unidos registravam variações pequenas na quarta-feira, 11 de março de 2026, enquanto os investidores monitoravam a trajetória incerta do conflito no Oriente Médio. Os preços do petróleo apresentaram oscilações após relatos indicando que a Agência Internacional de Energia (AIE) poderia liberar uma quantidade recorde de reservas de emergência. Os mercados também aguardavam a divulgação de dados importantes sobre a inflação nos EUA, que ocorreriam ainda no mesmo dia. Em meio a esses eventos, a Oracle (BOV:ORCL34) publicou uma previsão de receita acima do esperado, impulsionada pela demanda crescente por data centers dedicados à inteligência artificial.
Os futuros dos EUA operam com variações modestas
Às 9h27 (horário de Brasília), os contratos futuros que acompanham os principais índices americanos mostravam uma leve queda. Os futuros do Dow Jones recuaram 39 pontos, ou 0,08%, enquanto os contratos do S&P 500 subiram 0,75 ponto, ou 0,01%, e os do Nasdaq 100 ganharam 9,75 pontos, ou 0,04%.
A sessão anterior de negociações em Wall Street apresentou resultados mistos. O Dow Jones Industrial Average e o S&P 500 registraram pequenas perdas, enquanto o Nasdaq Composite, que é mais concentrado no setor de tecnologia, fechou em leve alta.
Uma parte significativa da atenção do mercado permaneceu voltada para os eventos no Oriente Médio, onde os Estados Unidos alertaram sobre a possibilidade de intensificarem sua série de ataques contra o Irã, marcando a ação mais significativa desde o início da operação conjunta com Israel no final do mês anterior.
Apesar das tensões, as ações mantiveram-se estáveis em grande parte. Analistas da Vital Knowledge afirmaram que os investidores pareciam ignorar os comentários alarmistas, enquanto o sentimento do mercado foi sustentado por dados de vendas de casas usadas nos EUA, superiores ao esperado, e por números positivos do comércio chinês. Além disso, as ações de tecnologia avançaram, com empresas do setor de semicondutores e componentes de chips apresentando ganhos notáveis.
A AIE considera a liberação de reservas recordes de petróleo
Uma das principais preocupações relacionadas ao conflito com o Irã é a possibilidade de interrupção do fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma passagem crucial pela qual transita cerca de um quinto do suprimento global de petróleo bruto.
Os temores de que o Irã possa tentar bloquear essa hidrovia causaram oscilações bruscas nos mercados de petróleo nos últimos dias. O petróleo Brent, que é referência global, estava sendo negociado próximo de US$ 90 por barril, após ter alcançado cerca de US$ 120 no início da semana. A atividade de navegação pelo estreito reduziu drasticamente, já que as empresas de transporte marítimo expressaram preocupações com a segurança de suas tripulações e enfrentam dificuldades para obter cobertura de seguro.
Robert Price, CEO da March GL, comentou que “o atual prêmio de risco nos preços do petróleo, impulsionado pelas ameaças ao Estreito de Ormuz, destaca a grave fragilidade das cadeias de suprimento globais e a necessidade urgente de desenvolver reservas de energia maciças e estáveis”.
De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, a Agência Internacional de Energia está considerando a liberação de reservas estratégicas em uma escala sem precedentes para estabilizar os preços do petróleo, em resposta à volatilidade relacionada ao conflito com o Irã.
Fontes citadas no relatório indicaram que a liberação proposta pode exceder os 182 milhões de barris liberados pelos países membros da AIE após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Uma decisão sobre a proposta poderá ser anunciada já nesta quarta-feira.
Trump ameaça com medidas mais enérgicas em relação às reivindicações de mineração
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que os ataques americanos contra o Irã podem se intensificar, após relatos de que o Irã teria implantado minas navais no Estreito de Ormuz.
Após a CNN divulgar que o Irã posicionou minas no estreito — embora em número limitado —, Trump afirmou na terça-feira que o Irã seria atingido “em um nível nunca antes visto” se as minas não fossem removidas.
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram ter atacado 16 embarcações iranianas que estariam envolvidas em operações de minagem nas proximidades do estreito. Dan Caine acrescentou que depósitos de minas navais também foram atacados.
Apesar das ações tomadas, o cronograma do conflito permanece incerto. Trump afirmou que os combates só cessarão com a “rendição incondicional” do Irã, embora um porta-voz da Casa Branca tenha indicado que a decisão sobre essa rendição caberá, em última análise, a Trump, e não às autoridades iranianas.
Na quarta-feira, os Estados Unidos e Israel trocaram ataques com o Irã em diversos locais do Oriente Médio.
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Dados do IPC em foco
Os mercados também estarão atentos aos dados mais recentes sobre a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, referentes ao mês de fevereiro.
Economistas projetam que o índice de preços ao consumidor (IPC) suba 2,5% em relação ao ano anterior, um pouco acima do aumento de 2,4% registrado em janeiro. Mensalmente, a previsão é de um aumento de 0,3% nos preços, em comparação a 0,2% no mês anterior.
O núcleo do IPC — que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia — deverá apresentar um aumento de 2,5% ao ano e 0,2% mês a mês.
Mais adiante na semana, também será divulgado o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) básico referente ao mês de janeiro. Analistas esperam que o indicador mostre uma inflação anual de 3,1% e um aumento mensal de 0,4%. Esse indicador é monitorado de perto, pois é considerado uma das medidas de inflação preferidas pelo Federal Reserve.
É importante ressaltar que os dados refletem, em grande parte, o período anterior à escalada das ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã. O consequente aumento nos preços do petróleo levanta preocupações de que as pressões inflacionárias possam se intensificar globalmente, o que pode levar os bancos centrais a considerar um aperto na política monetária.
Oracle supera as expectativas
A Oracle Corporation (NYSE:ORCL) divulgou resultados trimestrais que superaram as expectativas e apresentou uma previsão de receita otimista, impulsionada pela forte demanda por infraestrutura em nuvem que suporta data centers dedicados à inteligência artificial.
A empresa também elevou sua previsão de receita para o ano fiscal de 2027, o que fez com que suas ações subissem acentuadamente durante o pregão estendido.
A Oracle reportou um lucro ajustado de US$ 1,79 por ação sobre uma receita de US$ 17,19 bilhões para o terceiro trimestre do ano fiscal de 2026. Analistas previam um lucro de US$ 1,70 por ação sobre uma receita de US$ 16,92 bilhões.
A receita no segmento de nuvem subiu 44% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 8,91 bilhões.
Ao comentar os resultados, Raimo Lenschow declarou que o relatório sugere “um caminho mais claro para o futuro”.

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Fonte: br.-.com

