Duas abordagens para impulsionar a expansão da energia nuclear, segundo o BTG Pactual.

Duas abordagens para impulsionar a expansão da energia nuclear, segundo o BTG Pactual.

by Ricardo Almeida
0 comentários

A Nova Fase da Energia Nuclear

Após um longo período de estagnação, a energia nuclear está vivendo um momento de reexpansão em escala global. Esse setor volta a ser destacado em meio ao desafio de alcançar uma economia com emissões de carbono zero (Net Zero), ao revelar as limitações das fontes de energia renováveis intermitentes, que dependem de condições climáticas variáveis.

Performance dos ETFs de Energia Nuclear

Neste contexto, a equipe de analistas do BTG Pactual avalia que os ETFs (fundos negociados em bolsa) focados em energia nuclear apresentaram um alpha (retorno acima da média do mercado) significativo. Usando uma base de referência de 100, iniciada em janeiro de 2024, os ETFs de energia nuclear demonstram um desempenho superior em comparação ao S&P 500. O Investo MVIS Global Uranium & Nuclear Energy ETF atingiu 214 pontos, enquanto o Global X Uranium ETF chegou a 213 pontos, em contraste com os 145 pontos do S&P 500, de acordo com informações fornecidas pelo banco. Essa performance resulta em um alpha de 69% e 68% para os respectivos ETFs, o que destaca a eficiência do setor.

  • Investo MVIS Global Uranium & Nuclear Energy ETF | Código EUA: NLR | BDR: NUCL11
  • Global X Uranium ETF | Código EUA: URA | BDR: URA11

Energia Nuclear como Infraestrutura Crítica

De acordo com os analistas, a energia nuclear assume um papel central em um cenário global que envolve metas climáticas mais rigorosas, preocupações em relação à segurança energética e um aumento na demanda elétrica impulsionada por data centers e pela Inteligência Artificial (IA). Essa fonte de energia é vista como uma infraestrutura crítica, capaz de fornecer energia limpa e confiável em grandes volumes.

Estrutura da Matriz Elétrica Global

O BTG Pactual ressalta que, atualmente, a matriz elétrica mundial ainda é predominantemente composta por fontes fósseis, representando cerca de 60% da geração total. Em contrapartida, a energia nuclear corresponde aproximadamente a 9%, enquanto as energias solar e eólica possuem participações ainda mais baixas. Nos Estados Unidos, a matriz elétrica se apresenta de forma mais diversificada, com a energia nuclear respondendo por cerca de 17% da geração total, o que reflete seu papel vital no sistema elétrico do país.

“Na nossa perspectiva, após quase três décadas sem avanços significativos, a energia nuclear está novamente ocupando uma posição central nas políticas públicas globais, apoiada pela determinação da COP em triplicar a capacidade nuclear até 2050”, afirma o banco.

Catalisadores do Setor de Energia Nuclear

Embora o BTG observe que o revitalização do foco em energia nuclear ainda esteja em uma fase inicial, essa movimentação é vista como impulsionada por diversos catalisadores que reposicionam a fonte de energia como uma estratégia essencial para a segurança energética, a descarbonização e o crescimento sustentado da demanda por energia ao longo do tempo.

Entre os principais catalisadores, o BTG destaca a energia nuclear como uma necessidade crucial para a realização das metas de descarbonização até 2050. Além disso, a instituição menciona mais de 70 projetos de pequenos reatores modulares (SMRs) em desenvolvimento ao redor do mundo, com as primeiras unidades comerciais previstas para serem lançadas até o final da década.

A análise do BTG ainda aponta que as recentes iniciativas governamentais, como o Inflation Reduction Act, aprovado em 2022 nos Estados Unidos, e os programas da União Europeia implementados após 2022, passaram a incluir incentivos fiscais diretos para a energia nuclear. Em um contexto de reavaliação das práticas em ESG (Environmental, Social and Governance), fundos e agências começaram a classificar a energia nuclear como uma forma de energia limpa, enquanto a Taxonomia da UE e regulamentos semelhantes têm como intuito reduzir as barreiras para investimentos por parte de investidores institucionais.

O BTG também destaca a expansão do setor fora do Ocidente, onde a China se destaca ao abrigar aproximadamente metade dos reatores que estão em fase de construção atualmente. Além disso, o banco observa que empresas de tecnologia e conglomerados industriais estão firmando acordos de compra de energia (PPAs) e parcerias que garantem a demanda, o financiamento e a mitigação de riscos associados a projetos nucleares.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy