Desempenho Econômico Brasileiro em Março
A atividade econômica no Brasil registrou uma desaceleração em março. No entanto, o Bank of America considera que essa desaceleração não deverá resultar em uma interrupção brusca da economia. Segundo a análise do banco, parte da resiliência da atividade econômica deverá ser sustentada nos próximos meses por uma política fiscal mais expansionista.
Índice de Atividade Econômica
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou uma queda de 0,7% em março, comparado ao mês anterior, após ajuste sazonal. Este resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. De acordo com o Bank of America, o desempenho negativo foi intensificado pelo aumento dos preços do petróleo, que impactou predominantemente o setor de serviços.
Impacto nos Serviços
Analistas do BofA indicaram que a significativa contração nos serviços estava relacionada aos altos preços dos combustíveis. Esse efeito foi especialmente notável nos serviços de transporte, que sofreram com a alta dos preços do petróleo em decorrência das tensões envolvendo o Irã.
Desempenho Trimestral
Apesar da queda em março, o relatório ressalta que o primeiro trimestre de 2023 ainda apresentou uma economia aquecida. No período entre janeiro e março, a atividade econômica cresceu 1,3% em comparação ao trimestre anterior, que havia registrado uma alta de 0,4%.
Fatores de Sustentação
Os economistas do BofA afirmam que o principal fator de sustentação da atividade econômica no curto prazo deve ser encontrado na esfera fiscal. O relatório enfatiza que as despesas do governo aumentaram em 18,3% em termos reais em comparação ao ano anterior, impulsionadas por um pagamento adicional de R$ 35 bilhões em precatórios e R$ 12,3 bilhões em despesas discricionárias.
Perspectiva Fiscal
Embora o BofA interprete esse aumento mais como uma antecipação de gastos do que uma expansão fiscal estrutural, a análise sugere que tal impulso poderá fornecer "algum fôlego" à economia nos próximos meses.
Cenário Econômico
Na visão do banco, a combinação entre um dado mensal mais fraco e um crescimento trimestral ainda robusto reforça o cenário de uma desaceleração gradual da economia brasileira.
Confiança do Consumidor e Empresarial
Em abril, houve uma melhora na confiança do consumidor, enquanto a confiança empresarial sofreu uma deterioração, ambas em comparação com março. Em termos prospectivos, o indicador coincidente de atividade do BofA sinaliza uma expansão da atividade em abril em relação ao ano anterior, estimada em 14 pontos, embora já apresente indícios de desaceleração, após registrar 39 pontos em março.
Projeções de Crescimento
Diante desse cenário, o Bank of America mantém a expectativa de crescimento do PIB em 2,3% para 2026 e 2% para 2027. O banco também prevê a continuidade dos cortes graduais na taxa Selic pelo Banco Central. Os analistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá implementar um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.
Fonte: www.moneytimes.com.br