Impacto do El Niño na Inflação no Brasil
Economistas no Brasil projetam que o fenômeno climático conhecido como El Niño terá um impacto significativo sobre a inflação tanto neste ano quanto no próximo. Essa previsão ainda não foi completamente incorporada nas estimativas conforme uma pesquisa recente divulgada pelo Banco Central.
Estimativas Inflacionárias dos Economistas
A estimativa mediana obtida de quase 100 economistas consultados na última enquete pré-Copom, realizada antes da decisão sobre a taxa de juros da semana passada, indicou que o impacto do El Niño na inflação medida pelo IPCA deverá ser de 0,3 ponto percentual para o ano de 2026 e de 0,4 ponto percentual para 2027.
Essa inclusão de uma pergunta sobre o fenômeno no questionário pelo Banco Central foi uma novidade desde janeiro de 2024. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela alteração das chuvas, deve se intensificar no segundo semestre deste ano.
Incorporação do Impacto nas Estimativas
Os economistas entrevistados relataram que já incorporaram cerca de dois terços do impacto do El Niño em suas previsões para os preços ao consumidor neste ano, mas apenas 50% desse impacto foi considerado para o ano seguinte.
A pesquisa também revelou que a previsão para o fechamento do IPCA em 2023 é de 5,2%, enquanto para 2024 a projeção é de 4,2%, valores que se encontram bem acima da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 3%.
Expectativas em Relação à Taxa Selic
O questionário também indicou que o mercado esperava, antes da reunião em que a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual para 14,25%, que a taxa básica de juros encerrasse o ano em 14%, com a expectativa de que chegasse a 12% até o fim de 2027.
Preços dos Alimentos em Destaque
De acordo com o banco Citi, os preços dos alimentos deverão sofrer o maior impacto decorrente do El Niño no Brasil. O fenômeno climático normalmente causa secas no Nordeste, afetando culturas como café, açúcar e frutas cítricas.
Os economistas do Citi, Ernesto Revilla e Felipe Juncal, informaram que durante o forte El Niño que ocorreu entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou um aumento na inflação dos alimentos, um cenário que pode se repetir agora. Espera-se que a inflação suba cerca de 1,47 ponto percentual nos dois meses seguintes ao impacto inicial.
O BTG Pactual alertou que um “super El Niño” está se formando, com a probabilidade de que o impacto sobre a inflação dos alimentos se torne mais pronunciado no próximo ano.
Ajuste nas Previsões de Inflação
O banco ajustou sua previsão de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%, levando em conta os riscos associados ao El Niño.
Os analistas do BTG Pactual afirmaram que parte do choque gerado pelo fenômeno pode ser transferido para 2028, influenciado pela inércia e expectativas do mercado. A magnitude dessa transmissão estará sujeita à credibilidade do Banco Central e à reação no curto prazo. Quanto mais prolongado for o ciclo de flexibilização dos juros, maior será o risco de desancoragem das expectativas inflacionárias.
Múltiplos Choques
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou em maio que um El Niño intenso se somaria aos choques de oferta relacionados ao aumento dos preços do petróleo, que têm origem no conflito entre EUA, Israel e Irã. Esse cenário complica os esforços de contenção da inflação, especialmente em um contexto de mercado de trabalho restrito.
Galípolo destacou que as autoridades monetárias enfrentam o desafio de separar os choques temporários de preços dos efeitos de segunda ordem, especialmente à medida que as expectativas de inflação se afastam da meta definida.
Movimentos Futuros na Taxa Básica de Juros
Na semana passada, o Banco Central deixou em aberto as possíveis movimentações futuras em relação à taxa básica de juros, reconhecendo que a expectativa agora é que a inflação converja para a meta somente no primeiro trimestre de 2028, um trimestre além de seu horizonte formal.
Na ata da reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) observou que, embora os riscos para a inflação estejam inclinados para cima, a prática habitual é moderar a reação da política monetária em resposta a choques de oferta.
Fonte: www.moneytimes.com.br

