Aumento da Competitividade de Empresas Europeias na China
Contexto Geral
BEIJING — Um número crescente de empresas europeias opta por manter ou expandir suas cadeias de suprimentos na China continental, com o intuito de manter a competitividade no cenário global. Essa constatação é resultado de uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela Câmara de Comércio da União Europeia na China. O estudo revela que quase um terço dos entrevistados afirmou estar reavaliando suas operações para aumentar a presença na China.
Estratégias de Cadeia de Suprimentos
De acordo com o levantamento, 37% dos participantes indicaram que não alteraram suas estratégias de cadeia de suprimentos nos últimos dois anos. A pesquisa incluiu opiniões de quase 300 membros da Câmara, coletadas entre janeiro e fevereiro, que estavam familiarizados com as estratégias de cadeia de suprimentos de suas empresas na China continental. No total, 68% dos entrevistados afirmaram que estão permanecendo ou expandindo suas operações na China. Em comparação, apenas 7% mencionaram que estão realocando suas fontes de produção para fora do país ou estabelecendo bases de fabricação alternativas em outros locais.
Dependência do Mercado Chinês
"Não observamos um movimento de des-risco se tornando uma tendência", declarou Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da UE na China. "Se houver uma conclusão, ela indicaria que as empresas europeias continuam a depender cada vez mais da China como local de fornecimento e fabricação de seus produtos", completou.
Automação Reduz Custos
O Papel da Automação
O custo é um dos principais fatores que levam as empresas europeias a aumentar a produção na China, conforme aponta a pesquisa da Câmara da UE. Os custos relativamente baixos da mão de obra na China têm sido fundamentais para consolidar o país como um centro global de manufatura. Entretanto, à medida que as fábricas enfrentam escassez de mão de obra, muitas delas têm adotado a automação de forma rápida e abrangente.
Denis Depoux, sócio sênior e diretor global da Roland Berger, uma empresa de consultoria que auxiliou a Câmara da UE na elaboração da pesquisa, comentou: "O custo da mão de obra, que poderia ser inferior de qualquer maneira, está se tornando irrelevante, devido à automação." Depoux também mencionou que a diferença no nível de automação comparado a dois anos atrás é impressionante, citando sua visita recente a uma empresa chinesa de fabricação de cobre onde não notou a presença de trabalhadores.
Vantagens da Automação
Embora a automação possa ter um custo inicial mais elevado em relação à mão de obra humana, as fábricas podem, a longo prazo, produzir produtos de forma mais eficiente e rápida. Por exemplo, a fabricante chinesa de veículos elétricos Nio, que se expandiu para a Europa, informou que uma de suas fábricas na China opera com 941 robôs que conseguem trabalhar de forma totalmente autônoma em múltiplos modelos de veículos simultaneamente — sem a necessidade de trabalhadores no chão de fábrica. Essa estrutura permite que a planta opere ininterruptamente.
Ecossistema Local de Fabricação
Esse modelo faz parte de um ecossistema de manufatura local que se beneficia de preços mais baixos de energia industrial e custos reduzidos de matérias-primas. A Roland Berger apontou em um relatório divulgado em março, intitulado "A Vantagem de Custo e Velocidade da China: Um Aviso para Empresas Ocidentais", que as negociações trimestrais com fornecedores sobre preços e subsídios estaduais seletivos frequentemente ajudam os produtos chineses a alcançarem mercados globais de forma mais rápida e a custos significativamente mais baixos.
Eficiência da Produção na China
Cerca de três quartos das empresas da UE na China afirmaram que suas instalações de produção no país são mais eficientes do que as operações localizadas em outros locais, conforme revelou a pesquisa. "Em muitas indústrias hoje, você encontra pelo menos um concorrente chinês ou um concorrente internacional que está aproveitando as cadeias de suprimentos chinesas", ressaltou Eskelund. Ele acrescentou: "Portanto, acredito que, em muitas indústrias, se você conseguir competir em termos de preço e qualidade, precisará se tornar parte das cadeias de suprimentos chinesas. Não se trata necessariamente de uma decisão de onshoring para a China."
Fonte: www.cnbc.com