Decisão Polêmica no Bolsonarismo
A escolha do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em lançar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), como pré-candidato ao Senado por São Paulo gerou um descontentamento significativo nas fileiras do bolsonarismo. Parte da militância expressou críticas à escolha, considerando que o nome de Prado não é ideológico e possui uma ligação estreita com Valdemar Costa Neto.
Anúncio da Candidatura
A indicação de André do Prado para a segunda vaga ao Senado na chapa liderada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi inicialmente divulgada pelo próprio governador durante uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 5 de setembro. Eduardo Bolsonaro também confirmou a decisão em suas redes sociais, onde explicou os motivos que fundamentaram sua escolha. Ele anunciou que disputará como primeiro suplente de André do Prado, mesmo residindo atualmente nos Estados Unidos.
Reações da Base e Críticas
A escolha recebeu apoio de alguns parlamentares, como o deputado estadual Gil Diniz (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL), que estavam cotados para a vaga. Por outro lado, a crítica de alguns membros da militância foi contundente, com muitos expressando "decepção" em relação a essa escolha. A análise qualitativa da AP Exata Inteligência em Dados destacou uma repercussão negativa em relação a essa decisão.
Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e especialista em ciência de dados, afirmou que "o apoio de Eduardo Bolsonaro à candidatura de André do Prado foi mal recebido pela militância bolsonarista mais ideológica". Ele observou que este grupo interpretou a movimentação como um sinal de "alinhamento e concessão à velha política", uma vez que André é visto como um nome associado ao Centrão. A escolha de Eduardo como primeiro suplente trouxe um desconforto adicional, insinuando uma possível subordinação a Valdemar Costa Neto.
Críticas de Influenciadores e Políticos
O influenciador Rodrigo Constantino, reconhecido por suas opiniões incisivas, foi particularmente crítico de toda a situação. Em uma publicação na plataforma X, ele expressou sua indignação, escrevendo "Que vergonha", ao compartilhar a notícia sobre a candidatura de Eduardo como suplente de André do Prado. Ele ainda acrescentou que, ao optar por essa direção, estariam se transformando em um "centro" para combater o sistema político.
Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) durante o governo Jair Bolsonaro, também se manifestou negativamente. Ele compartilhou um texto que criticava a escolha de Eduardo, afirmando que ele deveria buscar a candidatura ou a suplência com nomes como o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL), Gil Diniz ou Mário Frias. Wajngarten afirmou que "ser suplente de um homem do Valdemar não dá".
O deputado federal Ricardo Salles (Novo), sob pressão para retirar sua pré-candidatura ao Senado, não hesitou em criticar a decisão, considerando “vergonhoso” o apoio de Eduardo ao presidente da Alesp, o qual ele se referiu como “filhote do Valdemar”. Ele escreveu em suas redes sociais que Eduardo sempre expressou aversão ao Centrão e registrou que, independentemente do tipo de negociação envolvida, o "pupilo do Valdemar" está associado ao PT.
Justificativa de Eduardo Bolsonaro
Frente a essa onda de críticas, Eduardo Bolsonaro deu uma entrevista ao canal bolsonarista AuriVerde Brasil, onde buscou justificar sua escolha para aqueles que ainda não a compreenderam. Ele destacou que André do Prado possui uma boa relação com prefeitos do Estado, o que poderia beneficiar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Eduardo afirmou que Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, não iria se candidatar para não prejudicar Guilherme Derrite (PP), outro pré-candidato ao Senado. Salles, por sua vez, negou essa informação: “Se eles quiserem, que retirem a candidatura”.
Durante a entrevista, Eduardo foi questionado pelo apresentador Alexandre Pittoli sobre a escolha de André do Prado. Pittoli expressou sua preocupação ao dizer: "Para que escolher um nome que não tem expressão entre nós?". Ele sugeriu que um acordo poderia ser cumprido com outros candidatos como Mário Frias e Mello Araújo, o que provocou um certo desconforto.
Reação de Mello Araújo
Em resposta ao seu nome ser mencionado na disputa, Mello Araújo se disse honrado e ressaltou que "só o tempo vai dizer se foi estratégico ou não" a opção por André do Prado. Ele acredita que, segundo pesquisas, seu nome tinha o maior potencial e expressou gratidão ao presidente Bolsonaro e a todos os que o apoiaram, afirmando que a escolha partiu de Eduardo com seus próprios motivos.
Disputa pela Prefeitura de São Paulo como Exemplo de Pragmatismo
Alguns bolsonaristas mencionaram a disputa pela prefeitura de São Paulo como um exemplo de apoio pragmático que resultou em sucesso. No passado, Bolsonaro havia declarado seu apoio a Ricardo Nunes (MDB), que acabou sendo reeleito, desconsiderando críticas negativas recebidas na época. Gil Diniz ainda acrescentou em uma publicação que a gritaria foi intensa, mas com o tempo a escolha de Bolsonaro mostrou-se adequada.
Fonte: www.moneytimes.com.br