Juros Futuros e Dados do Mercado de Trabalho
Trajetória de Acomodação
Os juros futuros negociados na B3 apresentaram uma trajetória de acomodação até o início da tarde, após uma sequência de seis sessões de queda. No entanto, no decorrer da tarde, esses juros encontraram espaço para uma redução maior em seus prêmios. Essa movimentação foi impulsionada por dados do mercado de trabalho formal que vieram mais fracos do que o esperado, reforçando a percepção de que o Banco Central poderia continuar a realizar cortes na taxa Selic a curto prazo. Assim, os vértices de vencimento curto registraram mínimas intradia, operando até abaixo do patamar psicológico de 14%.
Impacto do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
Profissionais do mercado apontaram que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi o principal fator que influenciou as taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na terça-feira, dia 30. A liquidez nos negócios se normalizou após a fraqueza observada anteriormente, que coincidiu com a vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1 na Copa do Mundo. Durante a análise mensal, a curva de juros apresentou uma inclinação, refletindo um ciclo de baixa nas taxas de juro.
Fechamento da Taxa do DI
No encerramento do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,038% no ajuste anterior para 14%. A taxa para janeiro de 2028 também recuou, passando de 14,107% para 14,015%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu para 14,115%, após ter fechado anteriormente em 14,198%. Da mesma forma, o DI para janeiro de 2031 viu sua taxa diminuir de 14,281% no ajuste antecessor para 14,21%.
Comparação com Fechamentos Anteriores
Em comparação com o fechamento da última sessão de maio, a taxa para janeiro de 2027 apresentava uma redução de aproximadamente 10 pontos-base, equivalente a 0,1 ponto porcentual, refletindo o último corte de 0,25 ponto da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida em junho. Por outro lado, os vencimentos para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 avançaram 25 e 32 pontos-base, respectivamente.
Análise do Diretor de Investimentos
Segundo Ian Lima, Diretor de Investimentos de Renda Fixa da Inter Asset, a inclinação das taxas é uma ocorrência normal em situações como essas, especialmente após um corte na Selic. Ele explica que a política monetária opera de forma cíclica, e, com isso, existe a expectativa de que ao final do ciclo atual, o próximo movimento deva ser de alta, com o intuito de manter a inflação estabilizada em torno de 3%.
Contexto do Mercado
Lima também observa que as sessões mais recentes indicam um "realinhamento dos astros", em parte devido ao alívio nas cotações do petróleo, que registraram uma queda inferior a 2%, permanecendo no nível de US$ 70. Além disso, os indicadores do mercado de trabalho interno, que são um ponto-chave de monitoramento para o Banco Central, mostraram evidências de perda de dinamismo.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua
Em concordância com os dados da recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que apontou a taxa de desemprego em 5,6% para o trimestre encerrado em maio, o Caged registrou uma criação de vagas formais abaixo do esperado no mês passado, além de um desempenho mais fraco nos salários.
No mês anterior, foram geradas 72.960 novas vagas de trabalho com carteira assinada, número que ficou aquém da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que previa a abertura de 120 mil vagas. Este resultado representa o menor saldo de empregos formais para meses de maio desde o ano de 2020.
Ajustes Sazonais e Desempenho no Mercado de Trabalho
Conforme os cálculos com ajuste sazonal elaborados pelo Santander, o saldo de postos de trabalho formais aumentou de 47,7 mil para 54,5 mil na comparação mensal. No entanto, esse número ainda se revela significativamente inferior ao ritmo observável no início do ano, conforme destaca o economista Henrique Danyi. Ao se considerar a média móvel trimestral, dessazonalizada e anualizada, houve uma desaceleração em relação ao mesmo período, com uma média de 80,4 mil, em comparação a 102,7 mil no quarto mês do ano.
Variação dos Salários
O economista Danyi ressalta ainda a variação dos salários: os salários de admissão permanecem praticamente estáveis entre os meses de abril e maio, com um ligeiro recuo de 0,03%. Em contrapartida, os salários de desligamento terão acompanhado uma queda de 0,19%. Ele observa que o dinamismo salarial continua fraco na base mensal dessazonalizada, embora as leituras acumuladas em um período de 12 meses tenham registrado uma leve aceleração.
Expectativas do Mercado Após Publicação do Caged
Após a divulgação dos dados do Caged, o mercado de opções digitais para as decisões do Copom passou a indicar uma probabilidade de 67% de que a Selic será reduzida em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom, uma alta em relação a 61% anteriormente calculada. Por outro lado, a probabilidade de manutenção da taxa nos atuais 14,25% caiu de 36% para 30%. Esses dados estão em sintonia com a precificação da curva futura, que também sugere cerca de 70% de chance para um corte, contra 30% para que a taxa permaneça inalterada.
Fonte: www.moneytimes.com.br