Análise do Plano Safra 2026/2027
O Plano Safra 2026/2027 evidencia uma tendência que tem se intensificado ao longo das últimas décadas: o governo federal tem perdido espaço como principal financiador da agricultura brasileira. Essa constatação é de Octaciano Neto, que é fundador da Zera.ag e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno.
Redução do Orçamento Federal
De acordo com Octaciano, na década de 1980, cerca de 6% do orçamento federal era direcionado ao agronegócio. Atualmente, esse percentual é de apenas aproximadamente 0,5%. Essa diminuição demonstra a incapacidade do Estado em atender, de forma isolada, às demandas financeiras de um setor que se expandiu de maneira significativa ao longo do tempo.
Demanda de Crédito no Agronegócio
Octaciano afirma que a demanda anual de crédito do agronegócio brasileiro já se aproxima da marca de R$ 1 trilhão. No entanto, o Plano Safra é responsável por financiar apenas cerca de um terço desse total. Os dois terços restantes são supridos por agentes privados, como fornecedores, tradings, cooperativas, bancos privados e instrumentos do mercado de capitais.
Esforço Fiscal da União
O especialista ressalta que, ao descontar as equalizações e considerar o efetivo esforço fiscal da União — incluindo a renúncia tributária das isenções de Imposto de Renda e os subsídios ao crédito — o desembolso público se limita a aproximadamente R$ 40 bilhões por ano.
Protagonismo do Governo no Financiamento
Segundo Octaciano Neto, os dados evidenciam que o governo continua a acelerar a perda de protagonismo no financiamento da agricultura brasileira. Ele reforça que, neste contexto, o crescimento do setor dependerá, cada vez mais, da capacidade de atrair capital privado. Isso inclui a ampliação do uso do mercado de capitais e a utilização dos recursos públicos como um mecanismo de alavancagem, ao invés de serem considerados a principal fonte de financiamento do agronegócio.
Fonte: www.moneytimes.com.br