Especialista aponta que setor produtivo é o mais afetado pelo aumento das tarifas.

Impacto do Tarifaço Americano no Setor Produtivo Brasileiro

O efeito do recente aumento de tarifas nos Estados Unidos sobre o setor produtivo brasileiro está na pauta de análise por José Pimenta, colunista do CNN Money, que participou de uma entrevista no programa WW.

A Questão Política vs. Efeitos Concretos

José Pimenta apontou que a maior preocupação não reside apenas no conflito político entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, de fato, nos impactos reais que as novas tarifas americanas podem provocar nas cadeias produtivas, que foram estabelecidas ao longo de várias décadas.

Ele ressaltou que separar as negociações comerciais do atual contexto político é uma tarefa complexa. Pimenta observou que, no ano anterior, Lula conquistou um aumento significativo em sua popularidade graças a um discurso centrado na soberania, o que teve repercussões internacionais.

Popularidade e Soberania

“Quando você teve aquela guinada do Lula em relação ao aumento de popularidade por conta de um discurso específico de soberania no ano passado, você teve um aumento concreto e, obviamente, isso reverberou nas pesquisas e chegou a diversas partes do mundo”, ponderou José Pimenta.

O colunista enfatizou que, com a proximidade de uma eleição, qualquer decisão que venha dos Estados Unidos tende a ser utilizada como ferramenta política. “O discurso, a narrativa, vai ser utilizada tanto pela situação quanto pela oposição”, concluiu Pimenta.

Cadeias Produtivas em Risco

Para Pimenta, a questão mais prejudicial do debate transcende a política. Ele alertou que setores que enfrentarem tarifas de 25%, e possivelmente acima de 30% em uma investigação mais abrangente, enfrentarão sérios desafios para conseguir exportar produtos para os Estados Unidos.

“O efeito para o setor produtivo, para as cadeias produtivas que foram construídas ao longo dos últimos 40 anos, é um ponto importante a ser destacado”, enfatizou.

Setores Atingidos

Dentre os setores citados por Pimenta estão o café solúvel, a madeira, os móveis, e as máquinas e equipamentos — todos parte de cadeias que, segundo ele, “sustentam diariamente o setor produtivo, business to business, que alcança o consumidor norte-americano”.

O colunista também alertou que os consumidores americanos também serão impactados, experimentando um repasse inflacionário em um momento em que a inflação já é considerada elevada em alguns segmentos nos Estados Unidos.

“O que é mais danoso para quem viver do comércio internacional no cotidiano são essas cadeias de alto nível que foram complementariamente construídas e que agora podem sofrer um revés significativo”, concluiu José Pimenta.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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