Especialistas afirmam que a solução para o endividamento é complexa e demanda esforço.

Especialistas afirmam que a solução para o endividamento é complexa e demanda esforço.

by Fernanda Lima
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Endividamento Recorde

O endividamento recorde do brasileiro tem levado o governo federal e o Sistema Financeiro Nacional (SFN) a buscar soluções para a situação atual.

Entretanto, não há uma solução única que possa resolver o problema das dívidas, que demandam esforço e ações complexas em várias frentes, de acordo com especialistas consultados pela CNN Money.

“Nós temos, de fato, um problema estrutural, histórico no Brasil, sendo a nossa taxa de juros básica muito elevada“, afirmou Eric Brasil, diretor da LCA.

Dados sobre o Endividamento

Conforme dados do Banco Central (BC), as dívidas das famílias com o sistema financeiro são, em média, quase a metade de suas rendas acumuladas nos últimos doze meses. O nível de endividamento apresentado pelas famílias se aproxima do recorde estabelecido em 2022.

Em resposta ao cenário de endividamento, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) declarou que o Ministério da Fazenda demonstra “abertura ao diálogo para encontrar as melhores soluções para sua implementação. Com um desenho adequado e os cuidados necessários, o pacote de renegociação de dívidas será uma boa medida”.

Para conter o aumento do endividamento, o governo está apostando na liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para o pagamento de dívidas, em uma nova versão do programa Desenrola.

Contudo, especialistas como Jefferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, destacam que os programas de renegociação de dívida podem funcionar como meros paliativos, sem tratar o problema central, que é o crescimento contínuo da dívida pública e privada.

A Política Fiscal e Monetária

Bittencourt ressalta que a política fiscal do governo está desconectada da política monetária do Banco Central. Isso significa que o governo continua gastando e estimulando crédito em desacordo com os esforços do BC para conter a inflação através da política de taxas de juros.

A referida autarquia se vê pressionada a manter taxas elevadas por um período prolongado em razão do risco fiscal, o que acaba por impactar o orçamento familiar.

Oferta de Crédito

Ainda que as taxas de juros estejam elevadas, os brasileiros continuam a contrair empréstimos. Dados do BC indicam um número recorde de saques por pessoas físicas registrado no mês de dezembro de 2025. Ao mesmo tempo, o número de famílias cujas rendas estão comprometidas para o pagamento de dívidas atingiu o maior nível já registrado em janeiro.

Até a metade do mês de março, a taxa Selic estava no mais alto patamar em duas décadas. Após um corte de 0,25 ponto percentual, a política monetária do Banco Central permanece restritiva, com a taxa básica de juros fixada em 14,75% ao ano.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, observou que “o endividamento é um efeito esperado da política monetária, e parte do endividamento foi resultado do aumento da oferta de crédito”, em declaração à CNN Money.

Nesse contexto, Eric Brasil pontua que a qualidade das dívidas das famílias é mais preocupante do que o montante em si.

Um estudo realizado pela LCA indica que o principal problema reside no crédito rotativo, que é mais acessível e de curto prazo, mas possui altos custos. O estudo ressalta a qualidade alarmante desse endividamento, que é fortemente alavancado em crédito de curto prazo com taxas de juros elevadas.

Do ponto de vista estrutural, Everton Gonçalves, diretor de Economia, Regulação e Produtos da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), ressalta que o crescimento das linhas de empréstimos de maior risco para consumidores individuais é motivo de preocupação.

“Nesse cenário, é essencial que as instituições financeiras mantenham a qualidade de suas concessões de crédito, ajustando seu apetite ao risco às condições do momento atual”, acrescenta.

A Febraban observa que o crescimento do endividamento e da inadimplência está “muito concentrado nas faixas de renda mais baixas e em produtos de crédito mais arriscados, como crédito pessoal não consignado, cheque especial e cartões de crédito”.

Cenário Fiscal

Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de cortes na taxa de juros, espera-se que as taxas permaneçam em dois dígitos até 2029, segundo o boletim Focus divulgado na segunda-feira (13). Este boletim, que é apurado semanalmente, reflete a estimativa mediana dos agentes do mercado financeiro. Para o final deste ano, a previsão é que a taxa básica supere os 12%.

“Mesmo se a Selic atingir 12%, ainda será uma taxa de juros elevada. Será necessário o suporte de uma política fiscal eficaz. Após as eleições, o vencedor terá que ser convocado para implementar um ajuste fiscal”, enfatizou Honorato em palestra na quinta-feira (16).

No entanto, o colunista do CNN Money, Aod Cunha, acrescenta que um ajuste fiscal efetivo exige cortes reais de despesas e, possivelmente, uma nova reforma da previdência que amplie a idade limite para novas pensões.

“É um debate complicado do ponto de vista popular e da percepção pública sobre a situação fiscal, que deverá ser realizado, mas infelizmente não vejo candidatos dispostos a aceitar essa discussão durante o período eleitoral”, conclui Cunha.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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