O Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, irá fazer um anúncio sobre tarifas nesta quinta-feira, dia 23, antes do prazo final para as tarifas globais de 10%, que expiram na sexta-feira. Essa informação foi divulgada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Conforme apuração da CNN, as tarifas em questão variam entre 10% e 12,5% sobre produtos importados de 86 países, incluindo o Brasil. A justificativa apresentada para essa medida é a alegação de que alguns desses países teriam participação em práticas de trabalho forçado durante a produção de bens.
A nova tarifa visa dar continuidade à alíquota de 10% imposta desde 24 de fevereiro, conforme estipulado na Seção 122, a qual estará em vigor por um período de 150 dias e expira nesta semana.
Falta de exceções
O ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), declarou na quarta-feira, dia 22, que o governo brasileiro não espera que haja exceções para o Brasil na tarifa de 12,5% a ser aplicada pelos Estados Unidos até o final desta semana.
“Em relação à Seção 301, é evidente que reivindicamos que não haja cumulatividade com a tarifa da Seção 301 estabelecida na semana passada. Assim como previamente solicitado, também pedimos que essa nova tarifa não se somasse à da Seção 232, e, realmente, isso ocorreu. Para esta seção, o resultado, que conheceremos na sexta-feira, dia 24, ainda é incerto”, explicou Rosa.
A tendência, segundo o ministro, é a de que não exista uma lista de produtos isentos, mesmo que se espera que as tarifas não se acumulem, “senão nossa alíquota iria para 37,5%”.
A investigação acerca do suposto trabalho forçado gerou uma lista global de exceções. O ministro indicou que não espera uma relação de produtos isentos especificamente direcionada ao Brasil.
Na mesma quarta-feira, dia 22, a nova tarifa que incide sobre o Brasil, decorrente de uma investigação realizada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), entrou em vigor abrangendo uma lista de produtos brasileiros.
O USTR vinha se debruçando sobre o tema desde que o ex-presidente Donald Trump anunciou, em julho de 2025, o primeiro aumento tarifário de 50% contra o Brasil.
No início de junho deste ano, o Representante Comercial americano havia sugerido a imposição de uma alíquota de 25% sobre as importações provenientes do Brasil, no contexto da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, ferramenta destinada à investigação e retaliação de práticas comerciais consideradas injustas por outras nações.
Apesar de uma série de audiências públicas nas quais a sociedade civil manifestou sua oposição às novas tarifas, o USTR afirmou que as políticas do governo brasileiro relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, produção de etanol e desmatamento ilegal criam insegurança jurídica e competição desleal para os players norte-americanos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

