Acordo Provisório entre Estados Unidos e Irã
Na quarta-feira, dia 17, Estados Unidos e Irã divulgaram o texto de um acordo provisório que foi assinado pelos presidentes dos dois países, com o objetivo de encerrar a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, fez ameaças de retomar os ataques e eliminar autoridades iranianas, caso o Irã não cumpra suas obrigações estabelecidas no acordo.
Declarações de Donald Trump
Durante a reunião do G7 na França, Trump retirou algumas das justificativas que ele havia apresentado para o ataque ao Irã, afirmando que seria “injusto” que Teerã não possuísse mísseis balísticos, apesar de ter prometido anteriormente a destruição desses armamentos. Em uma coletiva de imprensa, Trump declarou: “Vamos bombardeá-los até não poder mais se violarem o acordo. Não quero que façam isso. Quero que honrem o acordo.” Ele ainda descreveu os iranianos como “pessoas inteligentes”, enquanto as equipes de negociação de ambos os países trabalham na busca de uma trégua definitiva nos próximos 60 dias, o que, segundo Trump, poderá trazer paz à região do Oriente Médio e ajudar a reduzir os preços do petróleo.
Antes disso, Trump havia feito uma declaração contundente ao afirmar: “Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a jogar bombas bem no meio da cabeça deles, OK?”
Reação do Irã
Os líderes iranianos optaram por não responder às novas ameaças de Trump, celebrando o acordo, que é considerado um marco histórico, uma vez que é a primeira vez que presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinam um acordo desde a criação da República Islâmica em 1979. O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, comentou à televisão estatal que “tudo o que buscávamos alcançar por meio de ação militar, obtivemos várias vezes mais por meio de negociação; não era nem comparável.” O acordo também prevê o descongelamento de bilhões de dólares em ativos iranianos.
Contexto da Guerra e Consequências
A guerra foi iniciada em 28 de fevereiro pelos EUA e Israel, após o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, e de líderes militares logo no primeiro dia do conflito. A situação se deteriorou rapidamente, transformando-se em um conflito regional que resultou na morte de mais de 7.000 pessoas, predominantemente no Irã e no Líbano. Além das perdas humanas, a guerra elevou os preços da energia, renovou as pressões inflacionárias e gerou preocupações acerca de uma possível crise no abastecimento de alimentos nos países em desenvolvimento.
Itens do Acordo de 14 Pontos
O acordo de 14 pontos estende um cessar-fogo previamente anunciado em abril por mais 60 dias, incluindo o Líbano, para permitir que as partes negociem uma trégua final. Tanto Trump quanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian assinaram digitalmente o documento em inglês e farsi, sendo que o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que o acordo estava em vigor a partir da quarta-feira.
Trump assinou o acordo pouco antes de um jantar de gala com o presidente francês Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, local onde se oficializou o tratado que encerrou a Primeira Guerra Mundial.
Termos do Memorando
O memorando destaca o fim imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a retomada total do tráfego marítimo “sem cobrança” no Estreito de Ormuz, o levantamento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, a suspensão das sanções americanas contra o Irã, o descongelamento de ativos iranianos e a criação de um fundo de investimento no valor de 300 bilhões de dólares para a reconstrução pós-guerra da República Islâmica.
Impacto no Mercado de Petróleo e Compromissos do Irã
As expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz levaram a uma nova queda nos preços do petróleo na quarta-feira, com os futuros do petróleo Brent sendo negociados abaixo de 80 dólares, o que representa o nível mais baixo desde o início do conflito. Contudo, os preços se recuperaram após as ameaças de Trump de retomar a violência.
O Irã também reafirmou seu compromisso de não fabricar armas nucleares, reiterando uma promessa feita há décadas. O país concordou com a “diluição” de seu estoque de urânio enriquecido, que será supervisionada pela Agência Internacional de Energia Atômica, apesar de Trump ter sugerido que o Irã deveria retirar o urânio do país, proposta que foi rejeitada por Teerã.
Consequências para o Governo Iraniano e Reação Internacional
Apesar da retórica combativa de Trump, o resultado da guerra parece ter gerado pouco do que ele inicialmente pretendia. O governo teocrático iraniano permanece no poder, seu estoque de urânio altamente enriquecido não foi eliminado, suas capacidades de mísseis balísticos não foram desmanteladas, e o país ainda não encerrou seu apoio a milícias anti-Israel, como o Hezbollah no Líbano.
Trump, de fato, voltou atrás em sua promessa de destruir todos os mísseis iranianos e arrasar sua indústria de mísseis. Ele afirmou: “Estou dizendo que se outros países os têm, é um pouco injusto que eles não tenham alguns”, durante uma coletiva de imprensa em Paris após a cúpula.
Reação dos Líderes do G7
Os líderes do G7 celebraram o acordo durante a cúpula realizada na cidade francesa de Evian-les-Bains, que está a uma hora de carro do Lago Genebra. Os Estados Unidos informaram que uma cerimônia formal de assinatura do acordo entre os dois países seria realizada na fronteira suíça na sexta-feira, dia 19.
Contudo, Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, contestou essa informação, afirmando que, uma vez que os dois presidentes já assinaram, “nenhuma cerimônia de assinatura será realizada na Suíça”.
Preocupações dos Líderes Europeus
Líderes europeus compartilham as preocupações dos Estados Unidos em relação ao programa nuclear do Irã, mas nunca apoiaram a decisão de iniciar uma guerra sem a autorização das Nações Unidas. Há temores de que o Irã tenha ampliado sua influência ao resistir ao ataque da superpotência e reafirmar o controle sobre o estreito.
Os líderes da França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Itália, Canadá e Estados Unidos exigiram um cessar-fogo imediato no Líbano, onde o memorando prevê a suspensão das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, que já resultaram em milhares de mortes e no deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
Embora os combates tenham diminuído, eles não foram completamente cessados desde que o acordo foi alcançado no domingo. Israel, que não participou das negociações e continua a ocupar o sul do Líbano, afirma manter o direito de usar a força.
Fonte: www.moneytimes.com.br