EUA utilizaram 'praticamente todos' os seus mísseis de precisão de longo alcance, segundo relatório

EUA utilizaram ‘praticamente todos’ os seus mísseis de precisão de longo alcance, segundo relatório

by Patrícia Moreira
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Exaustão do Estoque de Mísseis de Longo Alcance

O Exército dos Estados Unidos utilizou uma parte significativa de seu estoque de mísseis de longo alcance altamente precisos durante o conflito de cinco meses com o Irã, conforme revelado por três fontes com conhecimento dos dados, o que desperta preocupações sobre a prontidão militar para futuros conflitos.

Mísseis em Uso

Os mísseis em questão são principalmente as armas de superfície do Exército, conhecidas como Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM). De acordo com duas das fontes consultadas, os Estados Unidos utilizaram "praticamente todos" esses armamentos.

Importância dos Mísseis

A medida em que o Exército está se aproximando do esgotamento das reservas de ATACMS e PrSM não havia sido relatada anteriormente. Essas munições de longo alcance são uma parte crucial do arsenal militar, proporcionando ataques precisos a partir de uma distância segura. Os ATACMS fornecidos pelos EUA têm desempenhado um papel fundamental na guerra na Ucrânia, permitindo que as forças ucranianas atacassem alvos dentro da Rússia. O PrSM representa uma nova geração mais avançada que substituirá os ATACMS, que possuem um alcance menor.

Impacto em Conflitos Futuros

Analistas afirmam que esses armamentos, que custam mais de um milhão de dólares cada, também seriam essenciais em um eventual conflito com a China. As fontes não divulgaram quantos mísseis restam nos estoques dos EUA.

Início do Conflito

O presidente Donald Trump iniciou a guerra com o Irã em conjunto com Israel em fevereiro, prevendo que o conflito teria uma duração curta. No entanto, à medida que a guerra se arrasta, as três fontes expressaram preocupação de que o esgotamento das munições possa limitar a capacidade dos EUA de deter adversários, como a Rússia e a China.

Situação Atual dos Estoques

Uma quarta pessoa, com conhecimento dos fatos, afirmou que, embora o Comando Central — que supervisiona as forças dos EUA no Oriente Médio — tenha quase esgotado os mísseis de superfície disponíveis antes do início da guerra, conseguiu reabastecer-se a partir de suprimentos militares dos Estados Unidos em outras partes do mundo. As fontes entrevistadas para esta matéria falaram sob condição de anonimato.

Comentários da Casa Branca

Ao ser questionada sobre os dados dos estoques, a Casa Branca emitiu uma declaração de Trump, afirmando que os EUA possuem "muito mais munições do que qualquer outra nação no mundo" e "muito mais do que precisamos". Trump acrescentou que "nossas empresas de defesa estão, neste momento, fabricando mais munições do que jamais produziram antes, além de expandirem suas fábricas e equipamentos em níveis recordes".

Produção de Munições

Os analistas concordam que certos tipos de munições, incluindo shells de artilharia e várias categorias de mísseis, estão sendo produzidos em níveis recordes, mas alertam que os suprimentos podem estar longe do que seria necessário para um conflito prolongado. A Lockheed Martin, fabricante dos ATACMS e PrSM, junto com o sistema de mísseis anti-balísticos THAAD, não respondeu imediatamente a questionamentos sobre as declarações de Trump ou sobre os níveis de suprimento. A Raytheon, fabricante dos mísseis Tomahawk e dos interceptores Patriot – ambas armas importantes dos EUA – também não retornou em resposta imediata.

Declaração do Pentágono

Em resposta a um pedido de comentário, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou: "As Forças Armadas da América são as mais poderosas do mundo e possuem tudo o que é necessário para agir no momento e lugar escolhidos pelo Presidente. Temos realizado múltiplas operações de sucesso ao longo dos comandos combatentes, garantindo que as Forças Armadas dos EUA possuam um amplo arsenal de capacidades para proteger nosso povo e nossos interesses".

Preocupações Sobre os Suprimentos de Armas

Os dados sobre os estoques têm circulado dentro do governo federal ao longo da última semana, em conversas tensas na administração Trump sobre quanto tempo mais os EUA podem continuar atacando o Irã sem que a diminuição do estoque limite a capacidade militar de responder a crises em outras regiões.

Decisões sobre Ataques

Uma das fontes indicou que a diminuição dos estoques de ATACMS e PrSM reflete uma decisão da administração Trump de evitar métodos mais arriscados de atacar alvos iranianos, como o uso de aeronaves tripuladas para lançar bombas. Por permitirem que o Exército ataque alvos a partir de uma distância, os analistas afirmam que tais armamentos seriam valiosos em uma guerra contra um adversário com fortes defesas aéreas, como a China. Os mísseis foram utilizados para atacar alvos dentro do Irã, de acordo com um relatório de março do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Produção do PrSM

O relatório aponta que os estoques de PrSM já estavam baixos no início, visto que é uma munição relativamente nova, mas o Exército dos EUA fez um grande pedido dessas munições para 2027. O Exército informou que os ATACMS estão sendo gradualmente eliminados e que a produção está sendo transferida para os novos mísseis PrSM.

Alertas dos Líderes Militares

Líderes militares têm alertado a presidência nas últimas semanas que os estoques de armas defensivas, incluindo interceptores Patriot — que são eficazes contra mísseis balísticos — estão se esgotando, afirmam duas das fontes. Na semana passada, veículos de mídia relataram que Trump decidiu não lançar uma nova ofensiva massiva contra o Irã em parte porque seus assessores militares advertiram sobre o estoque dos EUA.

Desacordo sobre Pressão Externa

Um oficial do governo dos EUA contestou essas contas, afirmando que Trump optou por não avançar com outro ataque devido à pressão de estados do Golfo. O conflito no Oriente Médio gerou um debate intenso sobre a autoridade de Trump para prosseguir com hostilidades contra o Irã sem autorização do Congresso. Não houve solicitação para uma declaração de guerra ou autorização para uso da força militar submetida ao Congresso.

Estoques de Armas Defensivas

Na semana passada, o CSIS publicou um relatório estimando que, entre fevereiro e julho, cerca de 65% dos interceptores Patriot haviam sido utilizados, e que o número de interceptores de mísseis balísticos THAAD nos estoques dos EUA estava pelo menos 38% abaixo do que era no início da guerra. Os sistemas Patriot e THAAD são eficazes na detecção e destruição de mísseis que se aproximam, estando entre os mais eficientes no arsenal do país.

Consumo de Mísseis Tomahawk

O governo dos EUA também consumiu quase metade de seu suprimento global de mísseis de cruzeiro Tomahawk, que são geralmente lançados de navios, desde o início do conflito, segundo uma das fontes. O mísseis Tomahawk, que é uma arma da Marinha, é lançado de destróieres, cruzadores e submarinos, e tem sido há muito tempo o principal meio que a força naval utiliza para atacar alvos com forte defesa sem arriscar a vida de pilotos.

Acordos de Produção

A Raytheon, uma unidade da RTX, alcançou um acordo preliminar de múltiplos anos com o Pentágono visando aumentar a produção dos mísseis Tomahawk, além de incrementar a produção de outras munições, enquanto Washington se apressa para reconstruir os estoques.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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