Prisões e Investigações no BRB
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, supostamente combinou com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, o recebimento de propina que seria estimada em R$ 146,5 milhões. Essa informação foi revelada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa, realizada em 16 de outubro de 2023, pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Compliance.
O montante mencionado deveria ser recebido por meio de quatro imóveis de luxo localizados em São Paulo e dois em Brasília. Segundo a Polícia Federal (PF), foi identificado até o momento o pagamento de pelo menos R$ 74 milhões.
O restante da propina, que estava previsto para ser pago, não foi efetivado porque Vorcaro tomou conhecimento da abertura de um procedimento investigativo da PF sobre os pagamentos a Costa. Os investigadores afirmam que o banqueiro interrompeu os repasses após ser informado sobre a investigação em andamento.
Informações adicionais da PF indicam que Vorcaro recebeu, de seu funcionário Felipe Mourão, uma cópia da investigação no dia 24 de junho de 2025, através do aplicativo WhatsApp. Essa data é posterior à interrupção dos pagamentos, que ocorreu em maio. Porém, o ministro Mendonça deu credibilidade à versão apresentada pela PF, observando que “o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias.”
Prisão de Advogado
Além da prisão de Costa, o advogado Daniel Monteiro, identificado como seu testa de ferro, também foi detido. Monteiro é acusado de receber, pessoalmente, R$ 86,1 milhões em vantagem ilícita.
A prisão preventiva de ambos foi fundamentada em diversos fatores, como a continuidade dos atos de ocultação de patrimônio, o risco de interferência na instrução do processo, a possibilidade de rearticulação do esquema financeiro e jurídico, além da necessidade de garantir a ordem pública e a efetividade da persecução penal, de acordo com o que escreveu Mendonça.
Contrapartidas e Carteiras de Crédito
A contrapartida para o pagamento da propina seria que Paulo Henrique Costa utilizasse recursos do BRB, instituição sob controle do governo do Distrito Federal, para adquirir carteiras de crédito falsas do Banco Master. Até o momento, já foi identificado que pelo menos R$ 12,2 bilhões em carteiras problemáticas foram adquiridos, mas o BRB ainda não apresentou o número exato, que pode ser maior.
Desde a sua deflagração, a Operação Compliance Zero investiga a existência de uma estrutura ilícita criada para facilitar a fabricação, venda e transferência de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB.
Defesa
Em frente à residência onde Costa foi preso, o advogado Cleber Lopes declarou que a defesa “não considera essa hipótese como válida”, fazendo referência ao suposto pagamento de propina.
Segundo Lopes, “a defesa considera que Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para a aplicação da lei penal. Não há indícios de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse comprometer a instrução criminal”, afirmou o defensor.
Fonte: www.moneytimes.com.br