Aumento do Preço do Petróleo e Seus Efeitos na Inflação no Brasil
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado apresentou estimativas sobre como o recente aumento no preço do barril de petróleo, impulsionado pelo conflito no Irã, poderá impactar a inflação brasileira. Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal, divulgado na quinta-feira, 16, a elevação nos preços pode resultar em um aumento de até 1 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Brasil.
Efeitos Diretos e Indiretos sobre o IPCA
Os impactos diretos no IPCA seriam gerados pela alta no preço da gasolina, enquanto os efeitos indiretos provêm do aumento no custo do diesel, que se propaga ao longo de toda a cadeia produtiva. O documento aponta que as estimativas indicam um impacto entre 0,7 e 1,0 ponto percentual no IPCA de 2026, originado por essas variações diretas e indiretas, com a possibilidade de alguma persistência em 2027.
A IFI prevê que, sob um cenário de normalização, o IPCA deve encerrar o ano em 4,5%. No entanto, se houver persistência nos impactos da alta, essa taxa pode subir para 4,9%. O Banco Central do Brasil busca uma meta de inflação de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em 2025, o IPCA foi encerrado com um aumento de 4,26%.
Cenários de Normalização e Persistência
No primeiro cenário, considerado como normalização, o preço do petróleo tipo Brent seguirá a curva dos contratos futuros negociados na ICE (Intercontinental Exchange), implicando uma dissipação gradual do aumento ao longo do tempo. Por outro lado, em um segundo cenário, prevê-se que o Brent acompanhe a curva futura no curto prazo e, posteriormente, aumente a uma taxa de 2% ao ano.
A hipótese desse segundo cenário é estabilizar os preços em termos reais, resultando em um ambiente mais persistente que, se concretizado, poderá ser compatível com danos estruturais à infraestrutura energética. Isso poderia manter o preço do petróleo em níveis elevados por um período prolongado. As projeções da IFI sugerem que um aumento de 10% no preço do Brent está associado a uma elevação de aproximadamente 0,2 ponto percentual no IPCA. Contudo, essa relação não é fixa e depende das premissas do exercício, do grau de repasse aos preços internos e das ações visando à estabilização no mercado de combustíveis.
Os pesquisadores apontam que a cotação do petróleo Brent sofreu um salto significativo, de US$ 71 para mais de US$ 100 o barril, o que gerou preocupações sobre a possibilidade de um ciclo econômico marcado por múltiplas consequências.
Impacto sobre a Arrecadação
Embora a elevação dos preços do petróleo tenha implicações negativas sobre o IPCA, os pesquisadores também destacam que essa alta pode gerar efeitos positivos na arrecadação federal no curto prazo. Esses efeitos são oriundos de aspectos diretos e indiretos. Os efeitos diretos são resultantes do aumento na arrecadação de impostos relacionados à exploração de recursos naturais, dado que essa receita está diretamente atrelada ao preço do petróleo no mercado internacional.
Os efeitos indiretos são decorrentes do impacto que a elevação do petróleo exerce sobre os índices de inflação, os quais, por sua vez, influenciam as bases de incidência tributária. A ampliação dessas bases, conforme mencionado, resulta em efeitos positivos tanto na arrecadação de tributos quanto na receita líquida destinada ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Efeito Positivo nas Receitas da União
Os pesquisadores da IFI ainda apontam que, apesar da deterioração em alguns parâmetros macroeconômicos, prever-se-ia um alívio no resultado primário do governo federal em 2026 e 2027, impulsionado pelo aumento na arrecadação proveniente do petróleo. As medidas relacionadas à despesa primária para mitigar os efeitos da crise do petróleo, incluindo as subvenções para diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP), já somam R$ 14,3 bilhões até o presente momento.
O Executivo está propondo medidas compensatórias através do Imposto de Exportação, com uma estimativa de arrecadação superior a R$ 30 bilhões neste ano. Apesar da expectativa de melhoria nas finanças, a IFI enfatiza que a situação requer cautela, considerando o elevado grau de incerteza que permeia a política internacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br