Desempenho das Ações do Banco Inter
As ações do Inter sofreram uma queda de aproximadamente 19% nos últimos 30 dias na bolsa de valores. Um dos fatores que tem contribuído para esse descontentamento é um dado que até então passou despercebido: a quantia paga pela instituição a seus executivos.
Um cálculo apresentado por um gestor a investidores nas últimas semanas revela que o banco desembolsa cerca de R$ 110 milhões anualmente em remunerações para sua cúpula. Este valor corresponde a aproximadamente 8% do lucro líquido de R$ 1,397 bilhão registrado em 2025, conforme foi divulgado pelo colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo.
Para uma empresa que necessita convencer o mercado de suas perspectivas de crescimento rápido, cada centavo destinado à estrutura interna se torna um incentivo para a desconfiança.
Resultados Financeiros e Inadimplência
O momento é particularmente desfavorável para o Inter. O balanço referente ao primeiro trimestre de 2026, que foi divulgado em 7 de maio, apresentou um lucro líquido recorde de R$ 395 milhões. No entanto, os resultados também mostraram deterioração nos indicadores de crédito, o que pegou o mercado de surpresa. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,1%, em comparação a 4,6% no ano anterior, e o custo do risco aumentou para 5,6%. De acordo com o Safra, os resultados ficaram aquém das expectativas tanto da instituição quanto do consenso do mercado, sinalizando uma perda de fôlego nas receitas e indicativos de deterioração na qualidade dos ativos. Em um único pregão na Nasdaq, as ações chegaram a despencar 14,5%, marcando o pior dia nos últimos três anos.
Reunião com Investidores em Busca de Confiança
Frente a essa pressão, a administração do banco realizou, na semana seguinte, uma reunião com investidores em Wall Street, com o intuito de apaziguar o clima de insatisfação. Durante o encontro, a administração comunicou que a meta de rentabilidade que havia sido prometida desde 2023 — um retorno sobre o patrimônio de 30% até 2027, considerada uma meta ambiciosa até mesmo para os padrões dos grandes bancos — foi prorrogada. O novo prazo agora é 2029. Isso significa que o Inter está solicitando mais tempo ao mercado para cumprir o que foi prometido.
Previsões Preocupantes de Remuneração
As expectativas para o futuro parecem indicam uma tendência de agravamento. Segundo documentos da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC), os acionistas da Inter & Co aprovaram em assembleia um orçamento para 2026 de até US$ 29,9 milhões (cerca de R$ 165 milhões, considerando a cotação do balanço da própria empresa) para a remuneração conjunta de diretores e officers. Esse montante abrange salários fixos, bônus variáveis e remuneração baseada em ações, e é quase 50% superior ao valor de R$ 110 milhões que foi atribuído ao banco para 2025. Na mesma reunião, os acionistas também aprovaram uma alteração nos estatutos da companhia, aumentando de dez para doze o máximo de officers que o conselho pode nomear.
Pressão sobre a Governança do Banco
Foi nesse contexto de crescente pressão que, na sexta-feira passada (22), a gestora carioca Squadra Investimentos entrou em cena. O Inter & Co foi notificado de que os fundos da Squadra adquiriram uma participação de 10,07% das ações ordinárias Classe A da companhia, totalizando 32,8 milhões de papéis.
Entretanto, a entrada da gestora traz um peso que vai além do tamanho de sua participação. A Squadra é conhecida no mercado brasileiro por atuar em empresas em dificuldades e por fazer pressão pública por mudanças na governança. A gestora revelou, em 2020, fraudes contábeis no IRB e possui um histórico de contestar pacotes de remuneração que considere desproporcionais ao desempenho das ações. Para uma administração que já enfrenta críticas por postergar metas e observar um aumento na inadimplência, ter uma gestora com esse perfil segurando quase 10% do capital pode alterar significativamente o tom das discussões.
Contradições na Narrativa do Banco
A discussão sobre a remuneração dos executivos do Inter também enfoca uma contradição na narrativa da eficiência da companhia. Apesar de se apresentar como uma operação inteiramente digital e enxuta — e de ter anunciado ter fechado 212 postos de trabalho ao longo de um ano, terminando com 4.179 funcionários —, as despesas com pessoal subiram 16,3% no período, atingindo R$ 1,1 bilhão. Em outras palavras, o banco apresenta menos funcionários e, ao mesmo tempo, um incremento no valor destinado à folha de pagamento.
Fonte: timesbrasil.com.br

