Varejo Alimentar Brasileiro no Primeiro Trimestre de 2026
O varejo alimentar brasileiro apresentou, no primeiro trimestre de 2026, um crescimento nominal de 1,4% no faturamento em comparação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, esse dado omite uma realidade subjacente: a quantidade de unidades vendidas caiu 2,1%, enquanto o tamanho do carrinho de compras teve uma redução de 2,5% no número de itens por ticket. Essas informações foram divulgadas pelo Radar Scanntech em abril de 2026.
Crescimento Predominantemente Vindos dos Preços
O crescimento no faturamento foi impulsionado apenas pelo aumento nos preços. A alta de 3,6% no preço médio foi o único fator que sustentou esse desempenho, já que o volume de compras revelou uma tendência oposta.
Resultado Abaixo da Inflação
O crescimento do faturamento ficou aquém da inflação registrada no mesmo intervalo, o que caracteriza uma retração real nas vendas. O fluxo de clientes nas lojas permaneceu praticamente inalterado, com uma variação de apenas 0,2%. Isso indica que, embora os consumidores tenham continuado a frequentar os estabelecimentos, estavam dispostos a gastar menos em cada visita.
Análise do Comportamento do Consumidor
De acordo com Felipe Passarelli, responsável pela Inteligência de Mercado da Scanntech, a análise aponta para um consumidor que, embora compre menos, está migrando para produtos de maior valor agregado. As categorias premium estão em ascensão, enquanto itens básicos estão apresentando queda. Essa alteração no comportamento do consumidor é ligada a uma mudança na alocação da renda entre as classes D e E, com um desvio de recursos para apostas esportivas, além do aumento da renda disponível da classe média, impulsionado pela isenção do Imposto de Renda.
Desempenho do Canal Atacarejo
O canal que historicamente atrai consumidores com maior sensibilidade ao preço foi o que mais apresentou queda. No primeiro trimestre, o atacarejo registrou uma redução de 1% em faturamento e 3,8% em unidades vendidas em comparação ao mesmo período de 2025. Em março, a retração foi ainda mais evidente, com uma queda de 0,8% em faturamento e de 3,5% em unidades.
Reflexão da Pressão Sobre o Consumidor
Essa perda de força no atacarejo reforça a interpretação de que a pressão sobre o consumidor de menor renda se intensificou nos primeiros meses do ano.
Resultados de Março: Queda em Itens Básicos e Oportunidades na Páscoa
O mês de março marcou o período mais fraco do trimestre. A Mercearia Básica registrou uma diminuição de 7,3% em faturamento, influenciada por uma deflação de 8,7% em produtos como arroz, açúcar, óleo e café, mesmo havendo uma leve alta de 1,6% em unidade vendidas. As bebidas, por sua vez, sofreram uma diminuição de 13,3% em unidades e uma queda de 6,7% em faturamento, reflexo da ausência do Carnaval em março. Em 2025, a festividade havia gerado um impulso significativo nas vendas.
Impacto Positivo da Páscoa
Apesar das dificuldades, a antecipação da semana de Páscoa para março de 2026 trouxe um impacto positivo, apoiando parte do faturamento. As vendas de ovos de Páscoa aumentaram em impressionantes 361,4%, enquanto o segmento de chocolates cresceu 50,7%. O aumento nos preços do boi in natura, da ordem de 8,5%, do feijão, com um crescimento de 14,1%, e do energético, que subiu 4,8%, também contribuíram para sustentar os resultados do mês.
Desempenho Regional do Varejo
A divergência regional é um aspecto que complementa o panorama do varejo. O Nordeste, por exemplo, liderou o crescimento, com um aumento de 2,3% em faturamento. Em contrapartida, São Paulo observou uma queda de 5,5% em unidades vendidas, enquanto a região composta por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo teve uma redução de 4,8% no faturamento.
Fonte: timesbrasil.com.br


