Bolsas de Nova York encerram em queda na sexta-feira (26) após notícia de que a OpenAI pode adiar seu IPO para 2027. Setor de tecnologia registra recuos e investidores buscam ações defensivas.
O índice Dow Jones Industrial Average apresentou uma redução de 44,51 pontos, ou 0,09%, finalizando o dia em 51.876,11 pontos, praticamente estável, já que sua composição, diversificada em termos econômicos, ajudou a mitigar o impacto negativo.
O S&P 500 caiu 0,05%, encerrando em 7.354,02 pontos, um recuo sutil que ocultou uma forte divergência entre os setores. O Nasdaq Composite registrou uma queda de 0,24%, atingindo 25.297,62 pontos, estendendo para cinco dias consecutivos a sequência de perdas, impulsionada quase exclusivamente pela fraqueza das grandes empresas de tecnologia.
No acumulado da semana, o índice S&P 500 viu uma diminuição de quase 2%, enquanto o Nasdaq sofreu uma queda de 4,6%. O índice Dow Jones, por outro lado, teve um desempenho superior, com um aumento de 0,6% ao longo do período.
Movimentações nos Mercados
As ações norte-americanas fecharam predominantemente em baixa na sexta-feira, 26 de junho, após um relatório que sugeria que a OpenAI poderia adiar seu IPO para 2027, intensificando a já significativa liquidação no setor de tecnologia.
A notícia suscitou novas incertezas quanto à sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial (IA), tema que tem sido um dos principais motores por trás dos ganhos do mercado nos últimos dois anos. Isso gerou recuos nas ações de empresas de semicondutores e de computação em nuvem pela quinta sessão consecutiva.
Empresas defensivas e voltadas ao consumo apresentaram um desempenho mais favorável, indicando uma rotação setorial em vez de uma retirada geral do mercado.
O gatilho imediato para essa situação foi uma reportagem da Bloomberg que noticiou que a OpenAI, responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT, está propensa a adiar seu aguardado IPO para 2027. Segundo a publicação, os assessores da companhia apresentaram duas opções: abrir o capital agora, com uma avaliação reduzida, ou esperar por uma avaliação estimada em US$ 1 trilhão.
O CEO Sam Altman teria recusado qualquer proposta de avaliação inferior. Os resultados financeiros auditados recentemente divulgados pela OpenAI mostraram um prejuízo líquido de US$ 38,5 bilhões no último ano, impulsionado em grande parte por gastos de US$ 34 bilhões com capacidade computacional e pesquisa e desenvolvimento (P&D). Isso levantou questionamentos sobre a rapidez com que a empresa conseguirá atingir os retornos esperados por investidores de uma organização com uma avaliação de US$ 1 trilhão.
Para o mercado, a preocupação mais profunda reside no que esse adiamento indica sobre a economia da inteligência artificial. Dado que um dos maiores consumidores de chips e capacidade de computação em nuvem está evitando o escrutínio dos mercados públicos, alguns investidores começaram a se questionar se a esperada onda de receitas impulsionadas pela IA está se concretizando no ritmo desejado ou se a expansão da infraestrutura avançou de forma mais rápida do que os retornos financeiros estão acompanhando.
Destaques Corporativos
A Nvidia (NASDAQ:NVDA) viu suas ações recuarem cerca de 1,5%, encerrando em aproximadamente US$ 195,74. Como principal referência nos investimentos em hardware para IA, a Nvidia se tornou um termômetro para qualquer notícia que levante dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em data centers. As cinco sessões consecutivas de perdas eliminaram uma parte significativa dos ganhos acumulados pela empresa neste ano.
A Micron Technology (NASDAQ:MU) e a Sandisk recuaram aproximadamente 5% cada, destacando-se entre as maiores quedas no setor de semicondutores do dia. Apesar dos resultados robustos do terceiro trimestre fiscal divulgados pela Micron no início da semana, a liquidação generalizada das ações de chips sobrepujou qualquer impulso positivo, já que as preocupações macroeconômicas relacionadas aos gastos com IA prevaleceram sobre os resultados financeiros individuais.
O SoftBank Group viu suas ações despencarem mais de 12%, marcando a maior queda diária desde agosto de 2024, após a divulgação da notícia sobre o adiamento do IPO da OpenAI. O SoftBank havia realizado um investimento bilionário no sucesso da OpenAI, e um atraso na abertura de capital anula também qualquer expectativa de retorno em cima desse investimento.
A Eli Lilly (NYSE:LLY) destacou-se como um dos principais positivos, apresentando uma alta de cerca de 7% após a aprovação de sua terapia para leucemia por reguladores europeus. O movimento reforçou uma rotação mais ampla em direção a ações dos setores de saúde e farmacêutico, à medida que investidores buscavam proteção diante da volatilidade observada nas empresas de tecnologia.
Visa (NYSE:V) e Walmart (NYSE:WMT) avançaram mais de 2% cada, beneficiando-se da mesma rotação defensiva. Com consumidores continuando a gastar mesmo diante da perda de confiança no setor tecnológico, empresas de pagamentos e grandes varejistas atraíram investidores em busca de ativos considerados mais resilientes.
Perspectivas Futuras
Na próxima semana, os investidores estarão atentos para verificar se a liquidação no setor de tecnologia encontrará um ponto de estabilização ou continuará se ampliando. O índice PCE, que é a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve, foi divulgado na quinta-feira, e suas implicações para a trajetória das taxas de juros continuarão sendo avaliadas ao longo da semana, que é encurtada pelo feriado de 4 de julho nos Estados Unidos.
A temporada de divulgação de balanços está se aproximando, e as projeções das principais empresas de computação em nuvem e semicondutores serão cruciais para responder à questão trazida pelo adiamento do IPO da OpenAI: os investimentos em inteligência artificial estão realmente acelerando conforme prometido ou será que as despesas estão crescendo em um ritmo superior ao das receitas?
Atualmente, o mercado parece ter adotado uma postura de “prove primeiro”.
Fonte: br.-.com