O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, expressou, durante sua participação no WW na quarta-feira (11), sua preocupação em relação às discussões sobre a possível extinção da jornada de trabalho 6×1 no Brasil.
Alban sublinhou que a produtividade do trabalhador brasileiro está entre as mais baixas do mundo, afirmando que alterações na jornada de trabalho sem levar em consideração esse cenário poderiam comprometer o futuro econômico do país.
Conforme dados apresentados por Alban, a média de crescimento da produtividade por trabalhador no Brasil é de meros 0,2% ao ano, enquanto que a produtividade por hora trabalhada atinge apenas 0,5% no intervalo de 1988 a 2024.
De acordo com métricas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil ocupa a centésima posição em produtividade por trabalhador e a nonagésima primeira em produtividade por horas trabalhadas, mesmo sendo a décima economia global.
Impacto nas pequenas e médias empresas
Um dos principais pontos apresentados por Alban é que o fim da jornada de trabalho 6×1 teria um impacto significativo nas pequenas e médias empresas, as quais representam 52% da capacidade de trabalho no Brasil.
“Não podemos comprometer o futuro neste momento. Uma pesquisa do IPEA indica que as pequenas e médias empresas serão as mais afetadas”, alertou Alban.
O representante da CNI também levantou a questão de como seria possível manter a ocupação da mão de obra com a redução da jornada de trabalho, assegurando os salários, em um contexto onde já se observa pleno emprego em algumas regiões do país.
Alban destacou que existem estados brasileiros onde há mais pessoas recebendo apoio de programas sociais do que aquelas com contratos de trabalho formalizados, o que exigiria uma requalificação desse grupo e sua reintegração no mercado de trabalho.
Discussão ampla e responsável
“O setor produtivo nunca se opôs a discutir, mas precisamos debater premissas, como podemos fazer um procedimento que leve a conquistas sociais com determinadas métricas”, afirmou Alban, defendendo um debate mais abrangente sobre a questão.
Entre os aspectos a serem considerados, segundo ele, está o déficit público brasileiro, onde as despesas com pessoal constituem uma das categorias mais onerosas, além da eficiência do serviço público.
“Como conseguiremos suprir essa demanda se já identificamos que o serviço público neste país é insuficiente e ineficiente? Portanto, teríamos que substituí-lo por mais pessoas. Onde vamos encontrar essas pessoas?”, questionou.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br