Fiscal Brasileiro em Foco
O cenário fiscal do Brasil tem sido um tema frequente nas conversas entre investidores estrangeiros, ganhando destaque como um dos possíveis fatores de volatilidade para os ativos nacionais, especialmente à medida que o país se aproxima das eleições presidenciais de 2026. A análise é de Ana Madeira, economista-chefe para a América Latina do Morgan Stanley, que participou de um painel do LIDE, focando nas relações econômicas entre o Brasil e os Estados Unidos, realizado na terça-feira (9).
Ana Madeira apontou que, no início deste ano, o Brasil conseguiu diminuir parte da percepção de risco associada ao país, um movimento que foi favorecido por juros elevados, fortalecimento do real e um ambiente de menor volatilidade. “Houve uma redução do risco Brasil que os investidores estrangeiros percebiam”, ressaltou a economista.
Atratividade no Cenário Internacional
A economista destacou que, atualmente, o Brasil é considerado uma opção relativamente atraente dentro do grupo de mercados emergentes, especialmente após recentes choques no cenário internacional. Ela enfatizou que, durante a alta dos preços do petróleo e o aumento da aversão ao risco global, o Brasil foi visto como um dos países menos vulneráveis entre os emergentes, principalmente por ser um exportador líquido de petróleo. Este fator permitiu ao país minimizar parte dos impactos inflacionários que surgem com o aumento dos combustíveis.
Esse movimento favoreceu a entrada de capitais estrangeiros, contribuindo para a valorização do real nos últimos meses.
Preocupações com o Quadro Fiscal
Entretanto, esse contexto começou a se modificar. Ana Madeira observou que investidores internacionais têm demonstrado uma preocupação crescente com a situação fiscal do Brasil, especialmente considerando as medidas que foram anunciadas pelo governo nos últimos meses. “Estamos notando um aumento nas perguntas dos investidores estrangeiros sobre esse aspecto fiscal. Existe a incerteza: devemos nos preocupar ou não?”, comentou a economista.
Ao analisar tanto medidas que impactam diretamente as contas públicas quanto iniciativas consideradas parafiscais ou quase fiscais, Madeira afirmou que a magnitude dos estímulos anunciados tem chamado a atenção do mercado. “Estamos chegando a um montante que deve ser considerado relevante”, afirmou. Para ela, essa preocupação começa a impactar de maneira gradual as decisões dos investidores internacionais.
Potencial Volatilidade Eleitoral
Além das questões fiscais, a economista destacou que o calendário político deve ganhar destaque nos próximos meses. Segundo ela, historicamente, o mercado brasileiro tende a incorporar períodos de instabilidade eleitoral a partir do segundo semestre do ano anterior à eleição.
“O tempo avança, e estamos cada vez mais próximos do ciclo eleitoral”, observou. A expectativa do Morgan Stanley é que temas relacionados à sucessão presidencial começem a ocupar um espaço maior nas análises dos investidores a partir dos meses de julho e agosto. “Historicamente, a volatilidade associada às eleições no Brasil começa a se intensificar na segunda metade do ano”, acrescentou.
Influência do Federal Reserve
Outro fator que impacta a percepção dos investidores sobre os mercados emergentes é a expectativa em relação aos juros nos Estados Unidos. Ana Madeira mencionou que parte do mercado está discutindo a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) manter os juros elevados por mais tempo, especialmente devido à resiliência da economia norte-americana e os riscos inflacionários.
Conforme a visão do Morgan Stanley, o banco central dos Estados Unidos deve manter as taxas de juros estáveis ao longo deste ano, iniciando um processo gradual de cortes posteriormente. No entanto, a economista reconheceu que a preocupação com uma política monetária mais restritiva nos EUA também afeta as expectativas para o Banco Central brasileiro.
“Estamos ouvindo frequentemente sobre o receio do mercado de que o Fed mantenha os juros altos por um período prolongado. Essa preocupação acaba influenciando a percepção do que o Banco Central pode ou não fazer no Brasil”, afirmou.
Conclusão sobre a Atração de Investimentos
Apesar dessas preocupações centrais, Ana Madeira ressaltou que o Brasil continua a chamar a atenção dos investidores globais. Ela enfatizou que a evolução do quadro fiscal e o andamento do ciclo eleitoral devem se tornar cada vez mais relevantes na formação dos preços dos ativos nos próximos meses.
Fonte: www.moneytimes.com.br