Nota de Crédito do Brasil Mantida pela Fitch
A agência de classificação de risco Fitch manteve a nota de crédito do Brasil em ‘BB’ com perspectiva estável. Essa decisão indica que, atualmente, a Fitch não enxerga fatores predominantes que possam levar a uma alteração na nota no curto prazo. Contudo, a agência reconhece as forças relevantes que sustentam o crédito brasileiro, assim como as limitações estruturais que dificultam uma possível elevação dessa classificação.
Fatores que Sustentam a Nota
Em um comunicado, a Fitch explicou que a atual classificação do Brasil se baseia em diferentes aspectos da economia nacional. Primeiramente, destaca-se o tamanho e a diversidade da economia brasileira, que permite uma certa capacidade de absorver choques financeiros. Outro ponto positivo é que as reservas internacionais estão em níveis elevados, enquanto o déficit em conta corrente é financiado por investimentos estrangeiros diretos. Nesse aspecto, o governo brasileiro apresenta uma posição mais favorável em comparação a outros países com características semelhantes.
Além disso, outros elementos que também contribuem para a classificação do Brasil incluem a taxa de câmbio flutuante, a existência de mercados domésticos profundos, e uma baixa proporção da dívida em moeda estrangeira. Esses fatores ajudam a reduzir os riscos de crises cambiais e de rolagem da dívida. A gestão de passivos e a acumulação de reservas pelo Tesouro Nacional também atuam como amortecedores, minimizando os riscos de curto prazo, apesar da elevada dívida pública.
Limitações que Afetam a Nota
No entanto, a classificação de crédito do Brasil é restringida pela alta dívida pública, que está em uma trajetória crescente. De acordo com as projeções da Fitch, a dívida pública deverá passar de 78,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 para mais de 80% em 2026. Além disso, os déficits fiscais elevados, impulsionados por despesas com juros, representam outra limitação significativa.
A Fitch projeta que o déficit nominal do governo brasileiro deverá encerrar o ano com uma taxa de 8,6% do PIB, um valor consideravelmente superior à mediana de 3,5% observada em outros países com classificação ‘BB’. A rigidez orçamentária e o baixo potencial de crescimento econômico também são fatores que restringem a nota do Brasil. A agência destacou que a incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico importante, e as perspectivas para reformas estruturais que abordem esses desequilíbrios provavelmente se esclarecerão apenas após as eleições.
Perspectiva de Mudança na Nota
A nota de crédito do Brasil poderia ser elevada se houver uma consolidação fiscal que estabilize a relação entre a dívida e o PIB em níveis sustentáveis. Além disso, uma melhora nas perspectivas de crescimento econômico também poderia contribuir para uma possível elevação da classificação. Por outro lado, um rebaixamento da nota pode ocorrer se o governo não conseguir implementar medidas que aumentem a credibilidade da política fiscal e assegurem a sustentabilidade da dívida no médio prazo.
Efeito da Eleição Presidencial no Brasil
A Fitch também expressou expectativas em relação à próxima eleição presidencial, marcada para outubro, entre os principais candidatos: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A agência classificou o ambiente político como polarizado, o que pode influenciar o perfil de crédito do Brasil.
De acordo com a Fitch, as diferenças entre os candidatos são relevantes, pois a política econômica e fiscal, bem como a qualidade e a escala do ajuste que se espera, podem variar de acordo com o resultado eleitoral.
Cenário em Caso de Vitória de Lula
No caso de uma vitória de Lula, a Fitch acredita que as políticas econômicas continuariam em sua trajetória atual, com ênfase em gastos sociais e um sistema de tributação mais progressivo. Nesse cenário, pode haver uma resistência a reformas que envolvam cortes nas despesas públicas.
Cenário em Caso de Vitória de Flávio Bolsonaro
Por outro lado, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, a Fitch antecipa que a administração provavelmente adotaria um programa mais alinhado com o mercado, focalizando cortes de impostos, eficiência nos gastos e privatizações. Contudo, a Fitch alerta que a implementação dessas políticas é "altamente incerta".
Fonte: www.moneytimes.com.br


