Flávio Bolsonaro envia carta a Marco Rubio solicitando revisão de tarifas – Times Brasil

Flávio Bolsonaro Envia Carta ao Secretário de Estado dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência do Brasil pelo PL, informou que enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com o objetivo de reverter a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na terça-feira, 2 de outubro.

Tentativas de Diálogo

Antes do envio da carta, Flávio Bolsonaro declarou que havia tentado evitar a implementação de novas tarifas em conversas com autoridades do governo americano. Ele enfatizou que a aplicação de novas tarifas acarretaria graves prejuízos para a população brasileira, que considera os Estados Unidos um parceiro e aliado. O senador mencionou no documento: “Escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”.

Contexto Econômico e Crise Fiscal

Na carta, redigida em inglês, Flávio Bolsonaro destacou que o Brasil está enfrentando uma crise fiscal, com a dívida pública superando 80% do Produto Interno Bruto (PIB), assim como níveis elevados de endividamento nas famílias e empresas. O senador alerta que novas barreiras comerciais podem trazer consequências negativas à população brasileira.

Esta comunicação coincidirá com a visita de Flávio aos Estados Unidos, onde teve uma breve reunião com o presidente Donald Trump e manteve contato com Marco Rubio ao longo de algumas horas.

Imposição de Tarifas pelos EUA

A decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas de 25% a produtos brasileiros foi divulgada na última segunda-feira, 1º de outubro, e decorre de uma investigação sobre práticas comerciais supostamente desleais do Brasil, amparada pela Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Dentre os fatores mencionados, está a alegação de um tratamento preferencial ao sistema de pagamentos instantâneos chamado Pix, em detrimento de empresas americanas.

Promessas de Flexibilidade nas Relações Comerciais

Flávio Bolsonaro comprometeu-se, caso seja eleito, a flexibilizar as relações comerciais entre os países e buscar novos acordos.

Trecho da Carta

Na carta, Flávio Bolsonaro expressou:

“Prezado Secretário Rubio,

Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.

Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.

Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.

Respeitosamente,

Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil.”

Fonte: timesbrasil.com.br

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