Funcionários de Trump que poderão vir ao Brasil para investigar as urnas eleitorais.

Negativa de Visto ao Governo dos EUA

O Brasil negou o visto de dois oficiais do governo dos Estados Unidos, que tinham a intenção de visitar o país com o intuito de, segundo informações publicadas pelo jornal The Washington Post, questionar e deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro. Essa iniciativa teria sido solicitada pelo presidente americano, Donald Trump, juntamente com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Conforme informações fornecidas ao Estadão, o Itamaraty confirmou a recusa da entrada de Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado americano.

A presença de ambos foi mencionada em conversas de oficiais dos EUA com o mesmo veículo, mas os detalhes sobre o propósito específico da viagem não foram divulgados.

Perfil de Riley Barnes

Nascido na cidade de Uvalde, Texas, Riley Barnes possui graduação em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e um mestrado em Relações Internacionais. No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ele é descrito como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, cargo que ocupa desde o ano de 2025.

Em 2023, recebeu a indicação de Marco Rubio para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e foi designado como Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.

Antes de assumir o cargo de subsecretário, Barnes desempenhou diversas funções no Departamento de Estado, onde iniciou sua carreira em 2018, conforme informações de sua rede social profissional. Durante sua trajetória, foi conselheiro sênior do subsecretário para Assuntos Políticos, redator-chefe de discursos do secretário, e fez parte da equipe de planejamento de políticas, entre outros papéis. Também trabalhou como redator-chefe de discursos do então líder adjunto da maioria no Senado, John Cornyn, proveniente do Texas.

Antes de integrar a equipe do governo americano, atuou no Atlantic Council, um think tank voltado para estudos em Relações Internacionais, onde ocupou cargos de diretor assistente e pesquisador em um centro focado em Estratégia e Segurança.

Perfil de Samuel Samson

Samuel Samson, com 27 anos, é o subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) no Departamento de Estado dos Estados Unidos, tendo sido designado para essa função em 3 de maio de 2026. Anteriormente, ele ocupava a posição de conselheiro sênior de Políticas no mesmo escritório, tendo sido nomeado durante o governo de Donald Trump em 20 de janeiro de 2025.

Filho de mãe filipina e pai americano, Samson nasceu no Texas e graduou-se na Universidade do Texas em Austin, onde se especializou na teoria do direito natural e na sua relação com as políticas públicas americanas. Atualmente, reside em Washington, D.C.

Desde sua juventude, Samson caracterizou-se por seus valores religiosos. Em 2013, quando presidia a escola primária católica em Houston, expressou uma “fé pessoal e ativa em Deus” e um “profundo respeito pelos valores intelectuais, bem como uma consciência social que o impulsiona à ação”. No ensino médio, candidatou-se ao conselho estudantil com um slogan inspirado na campanha “Make America Great Again” (Tornar a América Grande Novamente), e era descrito no jornal da escola como um “conservador feroz”.

Na universidade, manifestou descontentamento com o ambiente acadêmico e enfrentou insultos e ameaças em decorrência de sua posição política conservadora, após trabalhar como assessor do senador republicano Ted Cruz durante um verão. Seu ativismo religioso o levou a se conectar ao grupo político American Moment, ligado ao atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, onde atuou por quase três anos, principalmente como diretor de parcerias estratégicas.

Com a nova gestão de Donald Trump na presidência, em 2025, Samson foi nomeado conselheiro sênior do Departamento de Estado no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, permanecendo nesse cargo até maio de 2026, quando se tornou subsecretário-adjunto de Estado.

Recentemente, ele esteve em viagem por países da África e Europa, promovendo a política de Trump e fortalecendo relações com grupos de direita. Além disso, produziu relatórios que geraram críticas, pois foram considerados tendenciosos em relação aos direitos humanos.

Não há registros públicos disponíveis que informem se Samson é casado ou se possui filhos.

Contexto do Caso

Informações do jornal The Washington Post indicam que na sexta-feira, 24, o governo de Donald Trump tinha a intenção de enviar dois oficiais ao Brasil para gerar desconfiança sobre a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Autoridades brasileiras que conversaram com o veículo americano afirmam que o objetivo dos EUA era elaborar um relatório que pudesse ser utilizado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica implementado no Brasil.

Conforme apurado pelo Estadão, o governo brasileiro já havia identificado essa intenção da Casa Branca no dia 20 de julho, quando tomou conhecimento de que o Departamento de Estado dos EUA havia solicitado vistos ao Consulado do Brasil em Washington.

Um sinal de alerta foi dado quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores no dia seguinte, 21, e mencionou suspeitas que já haviam sido negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concernentes às urnas eletrônicas.

Oficialmente, o pedido dos Estados Unidos era para discutir “liberdade de expressão relacionada às eleições”, mas as autoridades brasileiras perceberam uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio dessa missão diplomática.

O TSE informou que sua área internacional foi contatada pela Embaixada dos Estados Unidos para discutir uma visita de integrantes do governo americano, mas não foi fornecido um cronograma sobre a pauta da agenda. A reunião não foi agendada em virtude do recesso do Judiciário.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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