Avaliação da Recomendação do FII Habitat Recebíveis Pulverizados
A XP Investimentos mantém a recomendação neutra para o fundo imobiliário Habitat Recebíveis Pulverizados (HABT11), com um preço-alvo de R$ 95,40 para as cotas. Esse valor representa um potencial de valorização de 28% em relação ao preço atual das cotas do fundo.
Análise dos Analistas
Em um relatório, os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar destacaram que o fundo apresenta uma performance histórica superior a outros referenciais do mercado. Eles ressaltaram também a atuação técnica e diligente da gestão, bem como o elevado desconto das cotas em relação ao valor patrimonial (P/VP).
No entanto, os analistas afirmaram que a decisão de não recomendar a compra baseia-se em alguns fatores relevantes, incluindo:
- Exposição a créditos mais arriscados, o que requer cautela no atual cenário macroeconômico;
- Garantias consideradas menos evidentes;
- Dividend yield elevado, de 16%, mas que é considerado insuficiente quando comparado a alternativas disponíveis no mercado que oferecem melhor relação risco-retorno.
Perfil do FII
O HABT11 é um fundo de recebíveis imobiliários (papel) com um perfil de risco arrojado. Foi originalmente estruturado pela Habitat Capital e incorporado à XP Asset há quatro anos, após a aquisição da antiga gestora.
Atualmente, o fundo conta com aproximadamente 55 mil cotistas na bolsa de valores B3 e um patrimônio líquido (PL) estimado em cerca de R$ 775 milhões.
Retorno Histórico do Fundo
De acordo com a XP, desde sua estreia, o FII acumulou um retorno de quase 104%, levando em consideração tanto a valorização de suas cotas quanto os rendimentos distribuídos. Esse resultado supera o desempenho de outros fundos high yield e demonstra a capacidade técnica da gestão, mesmo diante de cenários desafiadores.
Entretanto, os analistas também enfatizaram que esse histórico de retorno veio acompanhado de uma maior volatilidade e risco, características que refletem o perfil mais agressivo da carteira do fundo.
Exposição a Créditos Considerados de Maior Risco
O relatório aponta que, apesar de uma parte significativa dos empreendimentos relacionados aos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) do FII apresentarem estágios avançados de obras e vendas, a carteira ainda mantém uma exposição considerável a segmentos considerados mais arriscados. Entre esses segmentos, destacam-se multipropriedade (48%), loteamentos (25%) e incorporações verticais (24%).
Além disso, cerca de 16% do patrimônio líquido do fundo está alocado em séries subordinadas, enquanto 1,8% estão destinando a séries mezanino, que não possuem preferência no recebimento dos fluxos de recebíveis.
Estruturas de Garantia e os Desafios
“Os CRIs possuem estruturas robustas de garantia, que incluem a alienação fiduciária de imóveis, cessão fiduciária, além de fiança e aval dos sócios, entre outros mecanismos”, comentou a XP.
Ao mesmo tempo, uma parte significativa do patrimônio do fundo ainda se encontra alocada em créditos que não estão em conformidade com as métricas internas de monitoramento e estão em processo de gestão intensiva.
Fonte: www.moneytimes.com.br