Os futuros de ações dos Estados Unidos apresentaram uma alta significativa na segunda-feira, 13 de outubro de 2025. Essa elevação foi impulsionada pelo presidente americano Donald Trump, que adotou um tom menos conflituoso em relação à China durante o fim de semana, o que ajudou a mitigar os receios sobre uma intensificação do conflito comercial.
Recentemente, Trump havia ameaçado a imposição de tarifas elevadas, mas ressaltou que sua intenção não era “prejudicar” a China. A divulgação de dados robustos sobre as exportações chinesas também contribuiu para um sentimento positivo no mercado. Além disso, os fluxos de ativos considerados refúgio elevaram os preços do ouro a novos recordes, enquanto os preços do petróleo mostraram recuperação após atingirem mínimas de vários meses.
Futuros sobem com a redução dos temores comerciais
A abertura da semana teve um desempenho favorável em Wall Street, com os investidores mostrando uma reação otimista à aparente mudança de postura de Trump após a acentuada venda nas ações registrada na sexta-feira anterior. Às 04h19, no horário de Brasília, os futuros do Dow Jones subiam 468 pontos, ou 1,0%. Os futuros do S&P 500 apresentavam alta de 96 pontos, ou 1,5%, enquanto os futuros do Nasdaq 100 registravam uma elevação de 472 pontos, ou 1,9%.
A queda expressiva do mercado na sexta-feira foi provocada por postagens de Trump nas redes sociais, que reacenderam os temores de uma guerra comercial. Esse receio surgiu após a China ter ampliado as restrições à exportação de elementos de terras raras, produtos essenciais para diversos setores.
Em resposta a essas ações da China, Trump ameaçou implementar tarifas de 100% sobre as importações chinesas, além de introduzir controles adicionais sobre “todo e qualquer software crítico” até a data de 1º de novembro. Ademais, ele insinuou a possibilidade de não participar de uma reunião com Xi Jinping na próxima cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, a ser realizada na Coreia do Sul, apesar de as negociações ainda não terem sido oficialmente canceladas.
Esses comentários reacenderam preocupações sobre um possível confronto comercial intenso, que, embora houvesse diminuído um pouco após negociações anteriores em 2025, retornou ao primeiro plano das discussões econômicas.
Trump diz que EUA não querem “prejudicar” a China
Durante o fim de semana, o presidente Trump pareceu mudar um pouco seu discurso, afirmando que Washington não estava tentando “prejudicar” a China. Por sua vez, Pequim justificou suas restrições à exportação de terras raras como uma resposta ao que considerou como “agressões” por parte dos Estados Unidos. No entanto, a China não introduziu novas tarifas.
Analistas da Capital Economics emitiram um comentário sobre a situação, sugerindo que “esta última disputa ainda pode ser superada se a razão prevalecer”, enfatizando a potencialidade de que uma reunião entre Trump e Xi possa oferecer uma saída para a tensão atual.
No entanto, houve também um alerta de que “ambas as partes podem se manter firmes, aguardando que a outra desista primeiro”. Observou-se que, apesar de a China ter demonstrado uma resiliência maior do que era inicialmente esperada, tensões prolongadas podem resultar em riscos econômicos substanciais.
Autoridades comerciais dos Estados Unidos relataram que tentaram agendar uma ligação com Pequim logo após o anúncio das restrições de exportação; contudo, a parte chinesa adiou essa conversa. As autoridades de Pequim também alegaram que Washington pratica “duplos padrões” ao incluir empresas chinesas em listas negras e ao adotar novas medidas relacionadas a tarifas portuárias.
Exportações da China surpreendem positivamente
As exportações da China superaram as expectativas em setembro, apesar das novas tensões comerciais que pairam sobre as perspectivas econômicas do país. Os números apontaram um crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior, superando as previsões que estavam fixadas em 6%. Esse incremento foi uma aceleração considerável em relação ao crescimento de 4,4% registrado em agosto.
De acordo com analistas do ING Group, essa resiliência nos números exportadores indica que a China conseguiu fortalecer seu comércio com o resto do mundo em meio ao contexto de protecionismo dos Estados Unidos. Além disso, Pequim tem se esforçado para diversificar seus mercados de exportação a fim de reduzir a dependência das transações comerciais com os EUA, estratégia que busca sustentar sua meta de crescimento de 5%. Contudo, a ameaça de Trump de implementar tarifas de três dígitos pode testar os limites dessa abordagem de diversificação.
Ouro amplia recuperação recorde
Na segunda-feira, os preços do ouro alcançaram novos recordes, impulsionados por incertezas comerciais e uma crescente preocupação geopolítica que levou investidores a buscar ativos considerados refúgios seguros. O preço do ouro à vista subiu 1,3%, alcançando US$ 4.070,29 a onça, às 03h53, no horário de Brasília, após atingir um novo recorde de US$ 4.078,05 em momentos anteriores. Os contratos futuros de ouro nos EUA também tiveram uma alta de 1,6%, chegando a US$ 4.089,45.
A prata acompanhou a tendência, atingindo um recorde histórico em seu valor. A alta dos preços do ouro começou a ganhar força na sexta-feira, quando as ameaças tarifárias de Trump causaram a queda dos ativos de risco, reforçando o papel do ouro como uma reserva de valor em períodos de instabilidade. Apesar da ligeira flexibilização do discurso do presidente, investidores permaneceram cautelosos.
Petróleo se recupera de mínimas de cinco meses
Os preços do petróleo mostraram recuperação na segunda-feira, após terem caído para níveis mínimos em cinco meses na semana anterior. Esse movimento foi apoiado pelo otimismo de que a tensão comercial entre os países possa vir a diminuir.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 1,6%, alcançando US$ 63,72 o barril, às 04h47, no horário de Brasília. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) também subiu 1,6%, atingindo US$ 59,83. Ambas as referências haviam fechado em queda acentuada na sexta-feira, marcando seus níveis mais fracos desde o dia 7 de maio.
Um feriado nos Estados Unidos adiou o acordo sobre o WTI para terça-feira. Analistas também comentaram que o alívio nas preocupações geopolíticas no Oriente Médio contribuíram para essa recuperação. Recentemente, o Hamas soltou o primeiro grupo de reféns israelenses como parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com o objetivo de encerrar o conflito em Gaza, um desenvolvimento que foi visto como favorável à estabilidade do abastecimento na região.
Fonte: br.-.com

