O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, declarou nesta quarta-feira (3) que o Brasil experienciou efeitos “mais controlados” dos dois recentes choques de oferta que impactaram a economia global—relacionados ao aumento de tarifas e ao conflito no Oriente Médio. Ele participou de uma palestra em um painel do XIV Fórum de Lisboa, realizada por videoconferência.
Efeitos do Tarifaço
No que se refere ao tarifaço, Galípolo destacou que a menor associação do país com a economia dos Estados Unidos, a diversificação de parceiros comerciais e a força do consumo interno, assim como o crédito, resultaram em uma percepção de proteção para a economia brasileira. Essa proteção poderá trazer benefícios em 2025. Em 2026, a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo também proporcionou uma posição mais vantajosa em comparação com outros países.
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Avisos sobre a Vulnerabilidade
“Não estou afirmando que a economia brasileira está em uma situação melhor devido a esses choques do que estaria sem eles. O que quero dizer é que, a partir desses choques, em uma comparação relativa com outros países, a economia brasileira parece mais protegida, inserida em um contexto menos suscetível ao conflito, devido a um diferencial de juros elevado, que oferece um retorno atraente para investidores no Brasil. Além disso, o país goza de uma autossuficiência em relação a diversas commodities, incluindo uma matriz energética diversificada,” comentou.
Cenário Global Atual
Galípolo também mencionou que este contexto é agravado por um fenômeno não convencional: o aumento da aversão ao risco nas economias globais, que culminou na apreciação de várias moedas emergentes. Ele afirmou: “Historicamente, quando a aversão ao risco aumenta, os investidores buscam se refugiar em moedas consideradas seguras, como o dólar. No entanto, temos observado um cenário onde a aversão ao risco está levando a uma desvalorização do dólar e, ao mesmo tempo, à valorização de economias emergentes. O Brasil é um dos países que se beneficiaram dessa tendência.”
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Desafios Futuro
Galípolo refletiu que, apesar dos benefícios trazidos pelos choques recentes, a menor conexão do Brasil com as cadeias globais de valor está vinculada à falta de evidência de ganhos de produtividade em sua economia. “É crucial que pensemos sobre como o Brasil pode se integrar de forma mais eficiente às cadeias globais de valor. Isso é essencial para que possamos experimentar um crescimento estável, sustentado por ganhos de produtividade. Considero isso um grande desafio para o futuro da economia brasileira,” pontuou.
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Fonte: timesbrasil.com.br