Pronunciamento do Presidente do Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta terça-feira (13) que a instituição permanecerá atenta aos “efeitos de segunda ordem” gerados por choques climáticos e geopolíticos, que impactam a inflação, em um contexto marcado por expectativas pressionadas e sucessivos choques de oferta globais.
Desafios na Política Monetária
Durante sua participação na Conferência Anual do Banco Central 2026, Galípolo mencionou que o mundo enfrenta o “quarto choque de oferta em menos de seis anos”, um cenário que representa um desafio para os instrumentos tradicionais de política monetária.
Conforme o presidente, os bancos centrais foram inicialmente projetados para lidar com pressões inflacionárias decorrentes do excesso de demanda, mas agora enfrentam uma dinâmica mais complexa, influenciada por conflitos geopolíticos e eventos climáticos extremos.
“Nosso barco foi desenhado para enfrentar outro tipo de tempestade”, comparou, referindo-se à atuação do banco central como a preparação de uma embarcação que deve navegar em períodos de intensa turbulência, sempre mantendo o foco no controle da inflação.
Impacto na Percepção Pública
Galípolo enfatizou que os choques recentes interferem diretamente na percepção da população sobre o custo de vida, apresentando um novo desafio para a credibilidade das autoridades monetárias.
“Hoje esse é um debate que chegou ao cotidiano, à vida das pessoas. A dissonância entre muitas vezes os números oficiais e o sentimento das pessoas se dá pelo fato de que os bancos centrais são projetados para ter como meta a inflação, enquanto as pessoas lidam com o nível de preços”, destacou.
Separação de Efeitos Temporários
O chefe do Banco Central considera que o principal desafio no momento é distinguir os efeitos temporários dos choques de oferta dos chamados efeitos de segunda ordem, quando a alta inicial dos preços começa a afetar as expectativas, salários e outros setores da economia.
“Neste momento, é fundamental separar o que é efetivamente um processo de choque de oferta, seja devido a questões geopolíticas seja por efeito climático, dos efeitos de segunda ordem que exigem ainda mais atenção do que o normal”, afirmou.
Cenário Econômico e Controle da Inflação
Essa declaração ocorre em um ambiente de inflação ainda elevada no Brasil e no exterior, com o mercado atento aos próximos passos da política monetária e ao processo de convergência das expectativas inflacionárias.
Galípolo também reiterou que a instituição não mudará seu foco principal, que é o controle da inflação.
“O Banco Central, sempre que foi colocado à prova, seguirá respondendo. Não se desviará de seu objetivo, que é o controle do processo inflacionário”, concluiu.
Fonte: www.moneytimes.com.br