Bloqueio de Valores pelo Estado de São Paulo
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo bloqueou um total de R$ 176 milhões pertencentes ao grupo Genial Investimentos. Essa decisão faz parte de uma ação cautelar fiscal que está relacionada à Operação Carbono Oculto, a qual investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro.
Empresas Alvo da Ação
As empresas Áster e Copape estão entre os principais alvos da operação, sendo dirigidas pelos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos respectivamentes como Primo e Beto Louco. O Ministério Público de São Paulo identificou esses indivíduos como os principais investigados na operação. A ação cautelar tem como objetivo recuperar R$ 7,6 bilhões em ICMS, valor que inclui juros e multas.
As informações foram divulgadas na coluna de Mariana Barbosa, no portal UOL, na segunda-feira, 4 de outubro.
Detalhes sobre Áster e Copape
A distribuidora de combustíveis Áster e a formuladora Copape estão sendo investigadas na Operação Carbono Oculto sob suspeitas de sonegação fiscal e organização criminosa. De acordo com as informações apuradas, a Genial Investimentos começou a realizar negócios com Primo e Beto Louco no segundo semestre de 2024. Isso ocorreu após os dois empresários terem um desentendimento com João Carlos Mansur, proprietário da Reag, que até então era a gestora principal utilizada pelos empresários.
Essa migração para a Genial também incluiu um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) avaliado em cerca de R$ 500 milhões, que estava vinculado a uma carteira de consignados do Banco Master.
Estrutura de Investimentos
O montante bloqueado corresponde a uma operação de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDB) relacionada a um empréstimo feito pelo próprio grupo. A usina Itajobi, pertencente às empresas Copape e Áster, alocou R$ 176 milhões em CDBs da Genial por meio do fundo Radford, que foi bloqueado na ação da Fazenda.
Em relação aos processos financeiros, o Genial Investimentos teria emprestado recursos via Cédula de Crédito Bancário (CCB), com garantia do mesmo CDB adquirido pelo Radford, para uma empresa chamada Berna. A empresa Berna chegou a adquirir quotas do fundo Los Angeles, que anteriormente era administrado pela Reag e foi renomeado como Lucerna, sob a gestão transferida para a Banvox.
A empresa Berna é proprietária de aproximadamente 20 imóveis, cujo valor total ultrapassa R$ 200 milhões. Esses bens incluem terrenos nos bairros do Tremembé e da Vila Guilherme, localizados na zona leste de São Paulo, além de postos de gasolina. Documentos em cartório indicam que esses imóveis servem como garantia do empréstimo, estando alienados fiduciariamente ao Genial. As autoridades alegam que os recursos dos investigados foram usados na aquisição desses bens, em uma estrutura que, segundo as investigações, visariam à lavagem, ocultação e blindagem patrimonial.
Tentativa de Desfazimento de Operações
Na noite de quarta-feira, 28 de agosto de 2025, durante a Operação Carbono Oculto, o Genial Investimentos teria tentado cancelar as duas operações, alegando que a ordem de desfazimento havia sido emitida anteriormente. Contudo, a Procuradoria considerou essa manobra como uma "fraude à ordem de execução" e determinou o bloqueio dos valores envolvidos, conforme indicado nos autos do processo. Embora o Genial tenha recorrido da decisão, acabou perdendo. A última determinação judicial foi emitida em 9 de janeiro.
Contexto da Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025 pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, é considerada a maior operação contra o crime organizado na história do Brasil. A ação envolveu 1.400 agentes e teve como alvo 350 indivíduos e empresas em oito estados, investigados por suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e crimes contra a ordem econômica.
As investigações revelaram que o PCC controlava ao menos 40 fundos de investimento, com um patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. Além disso, a organização operava uma fintech, que atuava como um banco paralelo, movimentando R$ 46 bilhões não rastreáveis entre os anos de 2020 e 2024. O total de tributos sonegados foi estimado em mais de R$ 7,5 bilhões.
Em abril de 2026, o Ministério Público de São Paulo solicitou uma prorrogação de até 90 dias para concluir as investigações, que seguem sob sigilo. O procurador-geral de Justiça de São Paulo indicou que o escopo das investigações não se limita apenas a empresários, mas também abrange agentes públicos e, possivelmente, políticos.
Declaração do Banco Genial
Em resposta às acusações, o Banco Genial declarou em nota que atua "em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos". O banco também mencionou que as medidas judiciais em questão estão relacionadas a um processo em andamento envolvendo um fundo sob sua administração, e que sua atuação como administradora fiduciária foi realizada de acordo com as regulamentações aplicáveis e com as responsabilidades inerentes à função.
Sobre a Operação Carbono Oculto, o Genial afirmou que não é objeto de investigação e que tem "colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos acontecimentos". Fundado há aproximadamente 20 anos, o grupo conta com mais de 2 milhões de clientes e R$ 280 bilhões em ativos sob custódia.
Fonte: timesbrasil.com.br


