A Importância da Proteção de Dados nas Empresas
O cenário de crises geopolíticas trouxe um novo enfoque à questão da proteção de dados e informações, tornando-se um elemento vital nas estratégias de grandes, médias e pequenas empresas.
Percepção de Risco em Ciberataques
De acordo com uma pesquisa realizada pela TLD, uma empresa de tecnologia focada em cibersegurança, a intensificação das tensões globais gera uma percepção de risco em relação a ciberataques para 64% das organizações entrevistadas. Em meio a este contexto, a pesquisa ressalta que os investimentos em segurança cibernética podem ser reduzidos em até 13%, o que torna as instituições potenciais alvos para invasões e roubos de dados.
A Cibersegurança como Questão Estratégica
Rafael Dantas, head de Cibersegurança da TLD, afirma que o tema passou a ser uma questão estratégica nas decisões corporativas, impactando investimentos, prioridades e até mesmo a soberania digital dos países. Ele observa que a geopolítica não é mais apenas um pano de fundo, mas sim um fator decisivo nas abordagens de cibersegurança adotadas pelas organizações.
Revisão de Estratégias em Decorrência do Cenário Atual
Este cenário levou muitas organizações a revisarem suas estratégias de segurança. Dados do mercado indicam que mais de 60% das empresas modificaram seus planos de segurança, devido a cortes orçamentários ou mudanças nos direcionamentos de suas operações.
Estratégias e a Engenharia Social
Em tempos de incertezas que elevam os custos de bens e serviços, diversas empresas precisam realizar reestruturações, frequentemente enfrentando limitações em sua capacidade financeira para investir em segurança cibernética.
Redistribuição Baseada em Risco
Dantas enfatiza que o movimento não se limita a cortes de orçamento. Segundo ele, muitas vezes ocorre uma redistribuição de recursos que considera os riscos enfrentados. “Não é apenas sobre reduções, mas sim sobre entender que as organizações começam a pautar suas estratégias levando em conta fatores geopolíticos”, explica.
A Importância do Conhecimento sobre Ameaças
Além dos métodos que podem prevenir riscos, a correta avaliação do cenário e o entendimento das ameaças são cruciais para a implementação de uma nova estrutura de segurança nos sistemas das empresas. Felipe Lutz, CIO da Outsera, empresa especializada em outsourcing de tecnologia, destaca que uma das principais falhas nas corporações está vinculada à engenharia social, uma técnica usada para enganar, manipular ou explorar a confiança das pessoas.
Dantas complementa que “engenharia social é explorar as fragilidades do comportamento humano. Este tipo de ataque foca mais no impacto social do que no retorno financeiro direto.”
Avanços e Limitações do Brasil na Segurança Cibernética
No contexto global, o Brasil apresenta uma posição ambígua na esfera de cibersegurança. O país é reconhecido como uma referência em inovação no sistema financeiro, especialmente com a implementação de soluções como o Pix. Contudo, enfrenta sérios obstáculos estruturais que restringem sua autonomia digital.
Atividades Maliciosas e Vulnerabilidades
Conforme dados fornecidos pela Fortinet, uma multinacional de cibersegurança, no primeiro trimestre de 2025, foram registradas 314 bilhões de atividades maliciosas direcionadas ao Brasil. Dentre essas, as distribuições de malwares somaram 41,9 milhões, as ações relacionadas a botnets totalizaram 52 milhões e as tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas atingiram 67 mil. Entretanto, o que mais se destacou foram as tentativas de exploração de vulnerabilidades, que somaram 2,4 bilhões.
Dependência de Mercado Externo
Lutz aponta que o Brasil enfrenta um grande obstáculo devido à forte dependência do mercado externo, o que impõe limitações às ações dos softwares desenvolvidos no país. “Estamos muito dependentes do exterior para hardware”, ressalta.
O Papel do Estado na Coordenação da Cibersegurança
Nesse contexto, a atuação do Estado se torna ainda mais importante. Rafael Dantas considera fundamental a ampliação da coordenação entre os diversos setores para fortalecer a proteção de sistemas estratégicos. Ele destaca que “o governo deve assumir um papel de regulação e coordenação”, sublinhando a vulnerabilidade que instituições governamentais enfrentam, especialmente em relação a serviços públicos digitais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


