Governo demonstra dedicação às metas fiscais, mas esforço não consegue estabilizar a dívida, afirma Beker, do BofA.

Governo demonstra dedicação às metas fiscais, mas esforço não consegue estabilizar a dívida, afirma Beker, do BofA.

by Ricardo Almeida
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Compromisso Fiscal do Governo Brasileiro

O governo brasileiro tem demonstrado um compromisso com as metas fiscais, embora essas metas não sejam suficientes para garantir a estabilização da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa análise é apresentada por David Becker, que atua como chefe de economia para o Brasil e estratégia para América Latina no Bank of America (BofA).

Em um diálogo com jornalistas na quarta-feira (3), Becker afirmou: “Embora o governo esteja comprometido com as metas (fiscais), elas não são suficientes para levar à estabilização da dívida/PIB.” O economista ressalta a necessidade de um esforço fiscal que ultrapasse as medidas atualmente implementadas.

Conforme Becker, para estabilizar a dívida em relação ao PIB, o governo precisaria alcançar um superávit primário de pelo menos 2% do PIB, destacando que o ideal seria de 3%. “Uma coisa é estar comprometido com as metas, e outra é a discussão de que a meta é insuficiente para fazer com que a dívida/PIB se estabilize”, acrescentou.

Orçamento de 2026

O projeto de Orçamento de 2026, que foi enviado ao Congresso Nacional, estabelece uma meta de superávit primário de apenas 0,25% do PIB, o que equivale a R$ 34,3 bilhões. Becker observa que, embora um ajuste fiscal estrutural seja politicamente desafiador, o diagnóstico necessário para a mudança é amplamente reconhecido. “Tem que tornar o orçamento mais flexível”, defendeu o economista.

Contexto Fiscal e Oportunidades para o Brasil

Becker também comentou que a situação fiscal do Brasil não é um fenômeno isolado. O país pode se destacar se avançar em reformas nesta área. “O Brasil sempre teve problema fiscal (…) A novidade agora é que não estamos sozinhos. É uma oportunidade para o Brasil que, se fizermos uma lição de casa bem feita, podemos nos diferenciar e atrair mais capital”, afirmou.

A discussão sobre a questão fiscal deve ganhar força a partir de 2027, após as eleições presidenciais, momento que pode abrir uma janela de oportunidade para implementar ajustes estruturais. Até que isso ocorra, a incerteza em relação à condução fiscal do novo governo, seja ele de esquerda ou de direita, continua elevada. Becker pondera que atualmente não há elementos suficientes para se ter convicção sobre a direção que será tomada.

Desempenho do PIB

A atividade econômica iniciou o ano de 2025 com um crescimento robusto de 1,4% do PIB no primeiro trimestre. Entretanto, dados recentes indicam uma desaceleração da economia: o crescimento foi reduzido para 0,4% no segundo trimestre, com expectativas de resultados ainda mais fracos ao longo do segundo semestre.

Becker relatou que o PIB deste ano superou as expectativas iniciais, impulsionado por um agronegócio forte. “O nosso número era perto de 2% de crescimento, mas deve ser 2,5%. Os dados, no entanto, já estão mostrando uma desaceleração”, observou. Segundo o economista do BofA, as medidas implementadas recentemente, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a dedução do consignado privado, já estão sendo monitoradas pelo mercado e, segundo ele, não representam um risco fiscal adicional.

Becker concluiu: “O risco seria se a gente eventualmente vislumbrasse mais medidas.” A dinâmica fiscal e o desempenho econômico do país continuam sendo temas centrais nas discussões sobre o futuro econômico do Brasil.

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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