Governo se prepara para agir com novas medidas fiscais e de crédito, afirma economista-chefe da MB

Medidas de Estímulo ao Consumo e ao Crédito

Com a inflação ainda elevada e o esforço do Banco Central voltado para a desaceleração econômica, o governo deve intensificar, nos próximos meses, suas medidas de estímulo ao consumo e ao crédito. Essa avaliação é de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Em entrevista ao Money Times, Vale explicou que essa estratégia abrange tanto políticas fiscais quanto ações parafiscais, envolvendo a participação de bancos públicos e empresas estatais, em um contexto marcado pela proximidade das eleições de 2026.

De acordo com o economista, “o Banco Central está sozinho”, pois a política monetária se mantém restritiva, enquanto o governo busca estimular a demanda e o consumo.

Vale também ressaltou que “o governo está disposto a arregaçar as mangas para tentar implementar políticas fiscais e parafiscais em busca de reeleição”.

As Iniciativas Recentes do Governo

Segundo o economista, o programa Desenrola Brasil 2.0 é uma ação que se insere nessa lógica de estímulo. Esta nova fase do programa amplia as oportunidades de renegociação de dívidas, com o objetivo de reduzir a inadimplência entre as famílias, permitindo que consumidores voltem a acessar crédito e a retomar o consumo.

A nova etapa sucede o primeiro Desenrola, já lançado em 2023, voltado para pessoas físicas negativadas, e agora busca incluir mecanismos de refinanciamento e reestruturação de passivos. Vale acredita que, embora o impacto isolado sobre o PIB não seja expressivo, o efeito marginal se torna significativo em um ambiente de taxas de juros elevadas e inflação persistente.

Ele afirmou: “O governo vem com um pacote de curto prazo que visa diminuir a inadimplência da população e reintegrá-la ao mercado consumidor e de crédito”.

Porém, ele mencionou que as medidas estão sendo apresentadas em um contexto já pressionado por elevada inflação nos serviços, um mercado de trabalho resiliente e expectativas desancoradas para os anos seguintes. Nesse sentido, Vale destacou que “qualquer décimo no final importa”.

O economista também apontou uma série recente de iniciativas do governo direcionadas ao estímulo econômico e à melhoria da percepção pública. Entre as ações, destaca-se a decisão de zerar o imposto sobre importação para compras internacionais no valor de até US$ 50, medida popularmente chamada de “taxa das blusinhas”.

Anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (13), essa medida mantém apenas a cobrança de 20% de ICMS sobre encomendas internacionais e foi vista como um sinal positivo ao consumo por meio de plataformas de comércio eletrônico estrangeiras. Antes, o governo já havia mostrado disposição em implementá-la.

Além disso, na mesma semana, o governo lançou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que prevê um investimento de R$ 11 bilhões através de aportes e financiamentos para estados e municípios. Embora o foco principal seja segurança pública, o pacote é interpretado pelo mercado como parte de um esforço do governo para abordar preocupações da população que se intensificam antes do período eleitoral.

Outra proposta em análise, segundo informações do jornal Valor Econômico, envolve a criação de um programa de cerca de R$ 30 bilhões para financiar a compra de veículos por motoristas de aplicativos e taxistas, visando aumentar o crédito disponível por meio de bancos públicos.

De acordo com Vale, ainda há espaço para a implementação de novas medidas nos próximos meses, especialmente através do crédito público. Ele acredita que a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES podem servir como instrumentos de estímulo sem causar impacto imediato direto no orçamento.

A Atuação da Petrobras no Estímulo Econômico

Vale mencionou também a atuação da Petrobras como um exemplo de estímulo indireto à economia. Segundo suas observações, a estatal tem segurado o repasse da alta dos combustíveis internacionais para evitar pressão adicional sobre a inflação.

Ele declarou: “A Petrobras, por exemplo, está realizando essa política de forma que, de certa maneira, evita o aumento dos preços”. Os preços praticados pela companhia estão inalterados há cerca de três meses, apesar das flutuações no preço do petróleo e nas taxas de câmbio.

Nesta semana, após a divulgação dos resultados da empresa do 1T26, a presidente Magda Chambriard afirmou que os reajustes nos preços da gasolina devem ocorrer “em breve”.

Previsões para a Inflação

Conforme o economista, a preocupação do mercado está aumentando, uma vez que o cenário inflacionário já é complicado. Vale projeta uma inflação próxima de 5% para este ano, enquanto as expectativas para prazos mais longos continuam acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

Nesse cenário, a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) revelou, segundo ele, uma postura mais cautelosa da autoridade monetária do que pode parecer à primeira vista.

Vale ressaltou: “O Banco Central intensificou o alerta sobre as preocupações. Ele deixou de se concentrar apenas no choque imediato e passou a considerar o risco de deterioração das expectativas futuras”.

Apesar de suas observações, o economista ainda acredita na continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic, embora em um ritmo lento. Ele prevê reduções graduais até setembro, seguidas de uma pausa no período eleitoral.

Afirmou ainda: “O que antes era considerado teto, atualmente virou o piso da Selic”, ao comentar que a taxa de 13% é agora vista pelo mercado como um piso, e não mais como o teto esperado para os juros.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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