Reestruturação do GPA
O GPA está iniciando uma nova fase de reestruturação, que contempla uma revisão das lojas, reformas e o fortalecimento da autonomia nas operações regionais. Essa estratégia tem como objetivo alinhar a companhia ao seu tamanho atual e buscar a recuperação das vendas, sem planos de expansão a curto prazo.
Planos para Lojas
O CEO Alexandre Santoro declarou que o grupo não possui a intenção de abrir novas lojas nos próximos dois anos. De acordo com informações divulgadas, ao menos oito unidades já foram alvo de decisões de fechamento, e outras deverão se adaptar dentro de um período de três a seis meses. Essa entrevista foi concedida ao InvestNews.
Revisão e Gestão Autônoma
A revisão estratégica inclui a renegociação de aluguéis, a redução de despesas, a mudança do mix de produtos e ações voltadas para a recuperação das vendas. No Rio de Janeiro, o GPA iniciou um teste com uma gestão que proporciona maior autonomia, permitindo a adaptação das ofertas e a negociação direta com fornecedores locais.
Desempenho Financeiro
A mudança na estrutura ocorre em um momento em que a companhia busca a diminuição de custos e a manutenção da rentabilidade. No segundo trimestre, a receita líquida apresentou uma queda de 9,6%, totalizando R$ 4,23 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado cresceu 7,3%, atingindo R$ 450 milhões. A margem aumentou de 9% para 10,6%.
Em relação às vendas nas mesmas lojas, que não considera aberturas e fechamentos, houve uma queda de 0,8%. O grupo registrou um prejuízo de R$ 204 milhões nas operações continuadas, refletindo um aumento de 15,5% em comparação ao mesmo intervalo de 2025.
Plano de Recuperação Extrajudicial
O plano de recuperação extrajudicial do GPA ainda aguarda homologação judicial. Com a devida aprovação, a companhia poderá emitir novas debêntures e acessar os recursos programados na reestruturação. O objetivo dessa negociação é alongar os prazos de pagamento e aliviar a pressão sobre o caixa no curto prazo.
Ao final de junho, a dívida líquida do grupo era de R$ 3,65 bilhões, o que representa quase quatro vezes o EBITDA. Considerando os termos do plano e os R$ 298 milhões arrecadados com a venda da participação do GPA na Financeira Itaú CBD, a dívida líquida poderia ser reduzida para R$ 1,18 bilhão em um cenário pro forma, resultando em uma alavancagem de 1,3 vez.
O prazo médio da dívida deve ser estendido de cerca de dois para mais de seis anos. Além disso, os pagamentos previstos até 2028 podem diminuir de R$ 5,2 bilhões para aproximadamente R$ 400 milhões.
Ainda que uma melhora na estrutura financeira seja esperada, essa não se refletiu no caixa até o momento. Sem incluir o efeito da venda da participação no programa de fidelidade Stix, o fluxo de caixa livre registrou um resultado negativo de R$ 89 milhões no segundo trimestre.
Negociações com Fornecedores
No decorrer das negociações com credores, alguns fornecedores decidiram reduzir prazos ou limites de crédito. Essa situação obrigou o GPA a desembolsar valores mais altos para garantir o abastecimento de suas lojas.
Redução da Estrutura e Concentração em Reformas
Após uma série de vendas e separações, o GPA tornou-se um grupo menor, mas ainda mantém sistemas, contratos e estruturas logísticas projetadas para uma operação de maior dimensão. A companhia já unificou negócios como Assaí, Casas Bahia, Ponto Frio, hipermercados e atividades internacionais.
No primeiro semestre, a empresa afirmou ter alcançado R$ 244 milhões em economia em relação a uma meta anual de R$ 415 milhões. As medidas de corte incluem a redução do quadro de funcionários, a revisão de contratos de tecnologia, a diminuição de gastos com publicidade, além de melhorias em fretes e na ocupação logística.
Os recursos financeiros disponíveis serão prioritariamente direcionados para reformas das unidades existentes. Parte da rede, ao longo dos anos, envelheceu e perdeu espaço para concorrentes que se apresentam de forma mais moderna, conforme relataram os executivos consultados pelo InvestNews.
Desafios do Extra e Passivo Tributário
O GPA está trabalhando na definição do futuro do Extra. Após a venda dos hipermercados e a concentração do Pão de Açúcar no segmento de maior renda, a gestão começou a considerar a bandeira Extra como um supermercado de bairro, focado em compras de abastecimento.
Outro desafio diz respeito ao passivo tributário. De acordo com informações apuradas, o GPA enfrenta uma contingência federal em torno de R$ 15 bilhões e está discutindo a separação dos valores que pretende contestar daqueles que podem ser negociados.
A homologação do plano de recuperação extrajudicial deverá oferecer alívio financeiro a curto prazo. Após essa etapa, o grupo ainda precisará focar na recuperação das vendas e na geração de caixa, operando de forma mais adaptada às especificidades dos mercados regionais.
Fonte: timesbrasil.com.br


