Investimentos Estrangeiros no Brasil
Se o Brasil tem alcançado novos recordes em sua bolsa de valores e o real tem se fortalecido em comparação a outras moedas globais, uma contribuição significativa vem dos investidores internacionais. De acordo com dados da B3, esses investidores já aportaram R$ 24,2 bilhões apenas neste ano.
Visita do BR Partners aos EUA
A percepção positiva dos investidores em relação ao Brasil foi ressaltada por Vinicius Carmona, diretor de relações com investidores da BR Partners (BRBI11). Na semana passada, o banco fez sua estreia na Nasdaq, a bolsa de tecnologia americana, ao abrir seu capital nos Estados Unidos, visando atrair os dólares dos fundos americanos.
Antes de sua estreia, Carmona se dedicou a uma série de visitas a fundos relevantes nos Estados Unidos. Ele esteve em Nova York e também visitou locais estratégicos no centro do país, como a região de Salt Lake City, em Utah, e Miami, que é um centro importante para investidores especializados na América Latina, além de Boston.
Atração do Brasil e Desafios
Carmona observou que, embora uma parte do fluxo de investimentos tenha se direcionado para a Ásia, particularmente para China e Índia, isso fez com que os investidores brasileiros precisassem ser mais ativos e demonstrar as boas histórias de crescimento que o Brasil pode oferecer.
Impressão Favorável dos Investidores
Ainda segundo o executivo, a impressão dos investidores americanos sobre o Brasil é bastante positiva, especialmente em virtude da percepção de que o país se apresenta como uma opção atraente em termos de valuation, sendo considerado um país acessível para investimento. Atualmente, o P/L (preço sobre lucro) do Ibovespa está em 9,37x, abaixo da média histórica de 10,9x e menor do que os níveis observados durante a crise econômica de 2015, no governo Dilma Rousseff.
Carmona indicou que a percepção unânime entre os investidores é de que há um maior interesse no Brasil, especialmente em virtude da valorização das ações, onde muitos ativos estão sendo considerados baratos e apresentam empresas com boas práticas de gestão e governança corporativa.
No entanto, ele destacou que para transformar esse interesse em um fluxo sólido de recursos, dois fatores se tornam essenciais.
Fatores Cruciais para o Fluxo de Investimentos
O primeiro fator mencionado é a necessidade de um corte nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed). Na semana passada, o banco central americano reduziu as taxas em 0,25 ponto percentual, sinalizando a possibilidade de mais cortes futuros.
Carmona observou que a Bolsa já começou a reagir positivamente em setembro às expectativas de cortes nas taxas de juros e a uma política monetária mais expansionista. No entanto, ao conversar com gestores de fundos fora do Brasil, a impressão é de que esse movimento ainda está em fase inicial.
O segundo fator, que representa um desafio maior, está relacionado à situação macroeconômica do Brasil. O investidor estrangeiro continua preocupado com o cenário fiscal e político, levantando muitas perguntas sobre as eleições que se aproximam.
Cenário Atual do Mercado Brasileiro
Carmona enfatizou que, embora a situação não seja a mesma de 2014, quando o PIB encolhia a uma taxa de 3% ao ano durante o governo Dilma, os dados atuais mostram um crescimento projetado entre 2,5% e 3%, um nível de desemprego historicamente baixo, em torno de 6%, e uma inflação controlada. Assim, apesar de um quadro macroeconômico mais favorável, as preocupações relativas à dívida pública e à política fiscal ainda atuam como um limitador para o influxo de investimentos estrangeiros.
Ele também indicou que, em comparação a outros países emergentes, como a China e a Índia, o Brasil continua subavaliado. Embora exista uma oportunidade clara de investimento, a intensidade desse movimento dependerá da clareza do cenário eleitoral. Se houver maior previsibilidade, isso pode resultar em um rali sustentável. Por outro lado, se não houver clareza, o fluxo de investimentos pode se manter volátil, com entradas e saídas rápidas.
Relações Diplomáticas e Impacto nas Decisões de Investimento
Em relação à deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no contexto da tensão entre Donald Trump e o ministro Alexandre de Moraes, Carmona mencionou que esse assunto surgiu nas discussões, mas principalmente sob o aspecto da tensão política, sem implicações econômicas diretas, como tarifas.
Os investidores estrangeiros demonstram preocupação com a escalada da polarização no Brasil, mas não consideram isso, pelo menos por enquanto, como um fator decisivo para suas alocações de investimento.
BR Partners em Ascensão
Desde sua estreia na Nasdaq, a ação da BR Partners já apresentou uma alta de 25%. Carmona relatou que investidores estrangeiros já realizaram alguns aportes significativos na empresa. Ele ressaltou que a receptividade foi muito positiva, descrevendo a rodada de captação como a melhor que tiveram com investidores globais desde o IPO da empresa.
A BR Partners conseguiu atingir fundos focados em mercados emergentes e em pequenas empresas. Além disso, houve um renovado interesse nas small caps, que estão novamente no foco dos investidores, especialmente com a recente queda nas taxas de juros. Até o momento, o índice de small caps subiu 30% no ano, enquanto o Ibovespa apresentou uma alta de 22%.
Carmona comentou que, durante períodos de juros altos, os fundos locais sofreram retração, o que resultou na desvalorização do setor. Contudo, com a expectativa de queda nas taxas de juros e com investidores estrangeiros retornando, esse movimento de correção já começou a ganhar força.
Fonte: www.moneytimes.com.br


