A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo anunciou a determinação do bloqueio de R$ 176 milhões relacionados ao grupo Genial Investimentos. Essa ação faz parte de uma cautela fiscal associada à Operação Carbono Oculto.
Essa medida foi tomada no âmbito de uma investigação que examina a suposta atuação do crime organizado no setor de combustíveis, além de possíveis conexões com o sistema financeiro. O foco principal é a contenção de movimentações suspeitas e a recuperação de valores que estão associados a fraudes fiscais em larga escala.
Operação investiga esquema amplo de sonegação e lavagem
A Operação Carbono Oculto foi iniciada em agosto de 2025, sendo conduzida por diversas entidades federais e estaduais. As investigações indicam a existência de um esquema bem estruturado envolvendo sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis.
Conforme relatado pelos investigadores, o grupo criminoso teria utilizado uma série de empresas e instrumentos financeiros com o propósito de ocultar recursos e expandir sua atividade econômica de forma clandestina.
As apurações indicam que o dano financeiro aos cofres públicos pode ser superior a R$ 7,5 bilhões em tributos que não foram recolhidos. Além disso, há a suspeita de que o esquema tenha movimentado quantias na ordem de dezenas de bilhões de reais através de estruturas financeiras paralelas, que incluem uma fintech destinada a realizar transações fora do controle tradicional.
Empresas e empresários no foco das apurações
Entre os principais alvos dessa investigação estão as empresas Áster e Copape, que atuam no setor de combustíveis. Os empresários associados a essas empresas são vistos como figuras centrais na engrenagem do esquema investigado.
A suspeita é de que essas entidades tenham sido utilizadas para realizar operações financeiras que aparentavam ser regulares, mas que na verdade tinham como objetivo a ocultação de patrimônio.
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As autoridades estão analisando a movimentação das operações financeiras destes empresários entre diferentes instituições durante o ano de 2024, o que levantou questões sobre possíveis tentativas de reestruturação de ativos de forma irregular.
Estrutura financeira da Genial gera dúvidas
O bloqueio de R$ 176 milhões está vinculado a uma operação considerada complexa pelos investigadores. Este valor allegedly se originou de aplicações em certificados bancários, que foram utilizados como garantia para empréstimos realizados dentro de um circuito financeiro restrito.
Na prática, os recursos estariam sendo empregados na aquisição de ativos, que incluem imóveis e participações em fundos de investimento, com indícios de que o próprio capital dos investigados pudesse estar sendo reciclado dentro dessa estrutura financeira.
As autoridades acreditam que esse tipo de operação assume características que podem indicar tentativas de lavagem de dinheiro e blindagem do patrimônio individual.
Registros indicam a existência de imóveis associados a essas transações, situados em diversas regiões da cidade de São Paulo, que foram utilizados como garantias em contratos financeiros.
Tentativas de reversão foram contestadas
Durante a operação policial em 2025, ocorreu uma tentativa de desfazer parte dessas movimentações financeiras. O argumento apresentado foi de que a decisão havia sido tomada anteriormente. No entanto, a Procuradoria avaliou que essa ação representava um esforço para evitar o cumprimento das ordens judiciais.
Com base nessa avaliação, a Justiça decidiu determinar o bloqueio dos valores mencionados. Recursos apresentados posteriormente para reverter essa decisão não obtiveram sucesso até o presente momento.
Genial refuta irregularidades
Em comunicado ao Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC, a gestora Genial Investimentos reiterou que suas operações estão em conformidade com as normas do sistema financeiro e que a companhia segue padrões rigorosos de governança corporativa.
“O Banco Genial atua em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos.
As medidas judiciais mencionadas referem-se a um processo em andamento envolvendo um fundo sob a administração do banco. A atuação como administradora fiduciária foi realizada em conformidade com a regulamentação aplicável e com os deveres inerentes a essa função.
No âmbito da Operação Carbono Oculto, o Banco Genial não figura como investigado e colaborou com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos.“
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O Ministério Público do Estado de São Paulo solicitou a ampliação do prazo para a conclusão das investigações relacionadas a este caso. O processo que envolve o Genial corre sob sigilo, mas existem indícios de que o escopo das investigações pode se expandir para outros setores, incluindo novos envolvidos.
Fonte: timesbrasil.com.br