Um Foguete Norueguês Quase Causa Crise Nuclear
Há exatamente 31 anos, em 25 de janeiro de 1995, um foguete norueguês lançado com o objetivo de estudar a aurora boreal quase se transformou em um disparador de uma guerra nuclear.
Naquela quarta-feira, que era feriado na cidade de São Paulo, técnicos militares na Rússia detectaram um sinal em suas telas indicando que um foguete tinha sido lançado próximo à costa da Noruega. O foguete estava subindo rapidamente, sem um destino claro até aquele momento.
Naquele período, o clima internacional era de relativa paz. Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da Guerra Fria, muitos acreditavam que as tensões nucleares haviam se dissipado.
Entretanto, seria um momento de grande tensão se a população soubesse que o então presidente russo, Boris Yeltsin, acionou a ‘maleta nuclear’ pela primeira vez na história. Essa maleta contém as instruções e a tecnologia necessárias para lançar um ataque nuclear, e Yeltsin tinha que decidir com urgência se deveria ou não retaliar o suposto ataque.
Retaliar ou Não Retaliar, Eis a Questão
Após o término da Segunda Guerra Mundial, surgiu a compreensão de que ataques nucleares em larga escala entre países em conflito resultariam em destruição mútua garantida. Essa percepção contribuiu para dissuadir as potências atômicas de iniciarem um conflito nuclear.
Aqueles encarregados de monitorar os céus estavam cientes de que o foguete poderia representar um evento catastrófico. Avaliava-se que um míssil lançado de um submarino norte-americano poderia atingir Moscou, capital da Rússia, com até oito bombas nucleares em apenas 15 minutos.
Por essa razão, Yeltsin acionou a maleta. Ele tinha que decidir rapidamente se a Rússia deveria retaliar. Contudo, felizmente, nada ocorreu e a crise foi rapidamente contornada.
A Comunicação Sempre é Fundamental
O incidente não resultou em um conflito nuclear. O foguete norueguês, cuja trajetória o levou de volta ao seu ponto de origem, foi classificado posteriormente por um representante do Ministério da Defesa da Noruega como um lançamento pacífico.
O foguete fazia parte de um programa científico regular, cujo objetivo era coletar dados sobre a aurora boreal, um fenômeno visual que atrai visitantes a regiões árticas. A operação ocorreu como planejado, e o foguete não entrou no espaço aéreo russo.
Após algumas horas, a informação de que houve um alerta de ataque nuclear se espalhou pelo mundo. Apesar do susto, alguns funcionários do Ministério da Defesa russo permaneceram céticos. Em Moscou, havia quem afirmasse que ainda era “cedo demais para afirmar” qual era a intenção do lançamento.
Um Pânico Desnecessário
O pânico instaurado no governo russo poderia ter sido evitado. Semanas antes do incidente, a Noruega havia notificado Moscou sobre o lançamento. Essa informação foi alegada pelo cientista norueguês Kolbjørn Adolfsen.
De acordo com Adolfsen, uma mensagem foi enviada pelo Ministério das Relações Exteriores da Noruega em 14 de dezembro, comunicando a todos os países envolvidos sobre a realização do lançamento.
Por algum motivo, no entanto, a informação não atingiu as pessoas certas na Rússia. Entretanto, apesar da falha na comunicação, o resultado do episódio foi positivo: o mundo não chegou ao colapso.
*Com informações da BBC.
Fonte: www.moneytimes.com.br

