Crítica à Atuação do Governo Brasileiro
Walter Maciel, CEO da AZ Quest, expressou preocupações sobre o papel do governo brasileiro em meio ao avanço da inteligência artificial (IA), descrevendo a tecnologia como a maior revolução tecnológica da história. Em sua visão, o Brasil teve a oportunidade de se destacar como um polo de fornecimento de infraestrutura e energia limpa, mas “a gente conseguiu tornar isso tudo inviável”, afirmou Maciel, que administra um patrimônio de R$ 40 bilhões.
Reindustrialização dos EUA
Maciel destacou que, ciente do impacto da IA na economia de serviços, os Estados Unidos estão buscando reindustrializar-se e atrair investimentos. Ele citou como exemplo a Micron, que está construindo uma planta de US$ 100 bilhões em Syracuse, Nova York. Além disso, mencionou a TSMC, que é a principal fabricante de chips para a Nvidia e está investindo US$ 65 bilhões em uma nova fábrica no Arizona. Segundo o gestor, cada uma dessas fábricas pode gerar entre 30 e 50 mil empregos diretos e indiretos, apontando que a IA deve resultar em transformação, e não destruição, da economia.
Taxação em Tecnologia
Enquanto os Estados Unidos avançam em suas iniciativas, Maciel criticou o Brasil por impor “os maiores impostos do mundo em computadores”. Ele fez uma analogia ao comparar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a um zagueiro conhecido por sua força e táticas agressivas no futebol. “Haddad é o Júnior Baiano da economia”, brincou Maciel, provocando risadas na plateia que era composta, em sua maioria, por assessores de investimento. Em sua argumentação, ele afirmou que Haddad atinge todos os setores, tornando-se um ônus tanto para os mais pobres quanto para os mais ricos, afetando empresas e trabalhadores.
Visões e Estratégias de Longo Prazo
A fala do CEO da AZ Quest ocorreu durante o painel “Visão de Mundo”, em um evento promovido pela Blue3 Investimentos em Ribeirão Preto, São Paulo. Maciel contrastou a abordagem do Brasil com a dos Estados Unidos, que, segundo ele, possui uma agenda de Estado que transcende os governos, focando em estratégias de longo prazo que o Brasil deveria adotar também.
Como Ganhar com a IA
Maciel sugere que, ao contrário de revoluções tecnológicas anteriores, como a Revolução Industrial e a bolha da internet, onde os investimentos levaram mais tempo para gerar produtividade e retorno, a IA está apresentando resultados rápidos para as empresas que sabem implementá-la. “Nos Estados Unidos, já vemos sinais claros de que essa tecnologia está trazendo retorno para as empresas”, completou.
Infraestrutura como Ponto Focal do Investimento
No contexto da intensa competição entre empresas para o desenvolvimento de IA, ele aconselha que a melhor estratégia de investimento neste segmento é focar na infraestrutura necessária para seu desenvolvimento. “Na infraestrutura, você não está apostando em um destino específico; você está apostando no trilho. E o trem vai ter que passar por trilho de qualquer jeito”, explicou Maciel, enfatizando a importância da energia, data centers, redes de transmissão e semicondutores nesse cenário.
A IA e o Futuro do Emprego
Muitas pessoas têm receio de que a IA substitua empregos e quebre negócios, mas Maciel acredita que essa tecnologia pode, na verdade, gerar “milhões de novos empregos e criar diversos novos negócios”. Ele observa que quem deve temer a IA são aqueles que não geram valor agregado. “Quem está destinado a perder o emprego ao longo do tempo são aqueles que não agregam valor”, argumentou. Ele exemplificou dizendo que funções repetitivas, como a criação de apresentações em PowerPoint ou a busca por processos jurídicos em escritórios de advocacia, estão cada vez mais ameaçadas.
Impactos da IA no Mercado de Trabalho
Maciel reconhece que, enquanto a IA pode desvalorizar algumas funções, ela também está fomentando a necessidade de investimentos em novas fábricas, o que, por sua vez, gera empregos diretos e indiretos. “O que você deve observar não é se a IA vai tirar o seu emprego, mas sim se o que você faz é relevante e gera valor. Se você realmente agrega valor, não deveria temer; ao contrário, deve usar essa tecnologia como uma alavanca de crescimento”, ressaltou. Ele fez uma analogia dizendo que, no cenário atual, os encanadores estão mais protegidos em relação a suas funções do que trabalhadores cujas tarefas são facilmente automatizáveis, como os escriturários.
* A jornalista viajou a convite da Blue3 Investimentos.
Fonte: www.moneytimes.com.br