Hungria acusa Ucrânia de 'bloqueio de petróleo' e mobiliza soldados em instalações energéticas

Hungria acusa Ucrânia de ‘bloqueio de petróleo’ e mobiliza soldados em instalações energéticas

by Patrícia Moreira
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Acusações e Preparativos de Segurança na Hungria

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, chegou para participar de uma cúpula do Conselho Europeu na sede da União Europeia em Bruxelas no dia 21 de março de 2024. A Hungria acusou a Ucrânia de perturbar o fornecimento de petróleo que recebe da Rússia e posicionou tropas em instalações energéticas críticas em todo o país. Essa intensificação da retórica sobre energia e segurança nacional ocorre em um contexto de eleições parlamentares marcadas para abril.

Na quarta-feira, Orban acusou o governo ucraniano de impor um “bloqueio de petróleo” à Hungria ao atrasar a reabertura do oleoduto Druzhba, que abastece tanto a Hungria quanto a vizinha Eslováquia com petróleo russo. A Ucrânia fechou o oleoduto há um mês, alegando que um ataque russo havia causado danos, mas o líder húngaro afirmou que o governo ucraniano mantém a tubulação fechada por razões “políticas”, e não “técnicas”.

“O governo ucraniano está pressionando os governos húngaro e eslovaco por meio de um bloqueio de petróleo”, declarou Orban em um vídeo postado na plataforma X após uma reunião do Conselho de Defesa Húngaro na quarta-feira. “Eles não vão parar por aí”, acrescentou, alegando que “estão se preparando para novas ações para perturbar o sistema energético da Hungria”, embora não tenha fornecido detalhes ou evidências adicionais.

Orban informou que havia “ordenado o fortalecimento da proteção das infraestruturas energéticas críticas”, o que significa a implementação de soldados e o equipamento necessário para repelir possíveis ataques nas proximidades de instalações energéticas importantes. “A polícia também fará patrulhas com forças aumentadas ao redor de usinas de energia, estações de distribuição e centros de controle”, afirmou. Foi determinada ainda a proibição de drones na região nordeste da fronteira com a Ucrânia.

A Ucrânia não respondeu publicamente às acusações, e a CNBC entrou em contato com o ministério das Relações Exteriores da Ucrânia para obter uma resposta.

A intensificação da retórica em torno da energia e da segurança nacional, juntamente com um aumento do sentimento anti-Ucrânia, ocorre em um momento em que a liderança da Hungria luta para se manter no poder antes das eleições parlamentares de abril. O partido de direita Fidesz de Orban está atrás na maioria das pesquisas independentes, enquanto o ex-insider do partido e candidato do centro-direita, Peter Magyar, lidera as pesquisas de opinião dos eleitores antes da votação marcada para o dia 12 de abril.

Relações Complicadas

As declarações surgem em meio a relações complicadas entre os países devido a questões energéticas, sanções relacionadas à Rússia e ao conflito em andamento. Os países da União Europeia, Hungria e Eslováquia, continuaram a importar petróleo e gás russos, apesar das tentativas do bloco de restringir – e até proibir – tais importações, com ambas as nações afirmando que suas economias e cidadãos dependem de suprimentos energéticos russos a preços acessíveis.

Entretanto, a relação com a Rússia se aprofunda além das questões energéticas. Os líderes da Hungria e da Eslováquia, Viktor Orban e Robert Fico, respectivamente, têm boas relações com o presidente russo Vladimir Putin, enquanto mantêm relações mais frias com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy. Na manhã de quinta-feira, Orban publicou uma carta aberta a Zelenskyy no Facebook, acusando-o de “trabalhar durante quatro anos para forçar a Hungria a entrar na guerra entre você e a Rússia.”

A Hungria e a Eslováquia frequentemente se opuseram às sanções da União Europeia contra a Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022. Mais uma vez, bloquearam uma tentativa da UE de impor medidas punitivas adicionais a Moscou, que coincidiram com o quarto aniversário da guerra. Ambas as nações afirmaram que seus vetos foram motivados pela interrupção nas entregas de petróleo russo por meio do oleoduto Druzhba, um oleoduto da era soviética cujo nome traduzido significa “amizade”, que conecta os dois países através da Ucrânia.

A proximidade desses países com a Rússia e sua relutância em aplicar sanções têm tensionado as relações com Bruxelas, que, segundo eles, ignora suas necessidades energéticas. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, foi além na quarta-feira, afirmando que a Europa ignorou incidentes em que ele afirmou que a Ucrânia esteve por trás do sabotagem da infraestrutura energética da Rússia para a Europa, incluindo a explosão dos gasodutos Nord Stream que ligam a Rússia à Alemanha.

A Ucrânia negou qualquer envolvimento nos danos a um dos gasodutos, mas investigadores na Alemanha afirmaram que os sabotadores eram ucranianos. “As mesmas pessoas que estão bloqueando o transporte no oleoduto de Amizade hoje são as mesmas que explodiram o gasoduto Nord Stream. Essa é a realidade, e não podemos permitir isso”, declarou Szijjártó em comentários relatados pela agência de notícias nacional MTI. Ele não apresentou evidências para suas acusações.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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