Por trás da paralisação do gasoduto que promete dominar a cúpula Putin-Xi

Por trás da paralisação do gasoduto que promete dominar a cúpula Putin-Xi

by Patrícia Moreira
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Chegada de Putin a Pequim

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Pequim na quarta-feira para se encontrar com o líder chinês, Xi Jinping. A agenda da reunião inclui a discussão sobre o projeto do gasoduto Power of Siberia 2, que estava estagnado, especialmente em um momento em que a guerra no Irã tem perturbado os suprimentos de energia.

Discussões sobre o Gasoduto

O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, declarou na terça-feira que o projeto será discutido em detalhes pelos líderes. O gasoduto planejado terá uma extensão de 2.600 quilômetros e será responsável por transportar anualmente 50 bilhões de metros cúbicos de gás das jazidas de Yamal na Rússia até a China, passando pela Mongólia. Moscou e Pequim firmaram um memorando legalmente vinculativo em setembro de 2025 para avançar com a construção, mas ainda existem questões pendentes em relação à definição de preços, termos de financiamento e ao cronograma de entrega.

Questões de Preço e Financiamento

A China teria solicitado que as condições de preço para o novo gasoduto fossem equivalentes à taxa interna da Rússia, que gira em torno de 120 a 130 dólares por 1.000 metros cúbicos. Em contrapartida, Moscou busca termos mais próximos aos do Power of Siberia 1, que analistas estimam que seriam mais que o dobro desse valor.

Aumento das Importações de Energia

A China se tornou um grande comprador de energia da Rússia, com as importações de petróleo russo registrando um aumento de 35% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, de acordo com dados oficiais da alfândega. O novo gasoduto complementaria o sistema existente do Power of Siberia 1, o qual já entrega aproximadamente 38 bilhões de metros cúbicos de gás à China anualmente, e ambos os países concordaram em expandir ainda mais essa capacidade.

Impactos da Guerra dos EUA com o Irã

A guerra entre os EUA e o Irã, que teve início no final de fevereiro, resultou efetivamente no fechamento do Estreito de Ormuz, o que prejudicou cerca de metade das importações de petróleo da China, além de quase um terço do seu suprimento de GNL (gás natural liquefeito). Apesar desse choque energético, que gera novas pressões para que Pequim considere um gasoduto adicional que evite completamente os pontos de estrangulamento marítimos, analistas mantêm uma postura cética em relação a um possível impacto nas negociações de Pequim.

Estoques de Petróleo e Produção de Gás na China

Atualmente, a China possui cerca de 1,23 bilhão de barris de petróleo em seu estoque onshore, o que é suficiente para atender a cerca de 92 dias de necessidades de refino, segundo o analista sênior de petróleo da Kpler, Muyu Xu. A produção de gás doméstica também aumentou 2,7% nos primeiros quatro meses do ano, com os gasodutos da Ásia Central, que não são parte do sistema russo, contribuindo para o suprimento adicional.

Colapso das Exportações de Gás da Rússia para a Europa

Desde a invasão da Ucrânia em 2022, as exportações de gás da Rússia para a Europa desmoronaram, levando o gigante energético estatal Gazprom a registrar um declínio de 44% nas remessas no ano passado, atingindo o seu nível mais baixo em décadas.

Dependência Energética e Relações Sino-Russas

A magnitude do Power of Siberia 2 pode deixar Moscou vulnerável a depender de um único cliente, enquanto Pequim estaria trocando a vulnerabilidade marítima do Hormuz por uma dependência do controle russo sobre sua energia, conforme ressaltou Michael Feller, chefe de estratégia da Geopolitical Strategy. Feller destacou que um acordo não apenas indicaria confiança, mas também uma escolha de co-dependência como uma alternativa mais segura. Para o restante do mundo, essa relação sino-russa ficaria mais complicada e difícil de ser desmantelada.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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