Ibovespa Renova Recorde, Mas Cede à Pressão Externa
O Ibovespa (IBOV) alcançou um novo recorde intradia histórico nas primeiras horas de negociação, mas enfrentou uma pressão vinda de Wall Street e interrompeu uma sequência de dois dias de alta.
Nesta quinta-feira, dia 29, o principal índice da bolsa brasileira fechou com uma queda de 0,84%, encerrando o dia a 183.133,75 pontos. Durante a sessão, o Ibovespa atingiu uma máxima de 186.449,75 pontos, representando um aumento de 0,95% e estabelecendo o maior nível nominal intradia já registrado. O pico anterior foi alcançado no dia anterior, quando o índice estava próximo de 185 mil pontos.
O dólar à vista (USDBRL) finalizou as operações cotado a R$ 5,1936, apresentando uma queda de 0,25% e alcançando seu menor nível desde maio de 2024.
Cenário Doméstico e Sinalizações Monetárias
O mercado reagiu à divulgação da sinalização de um possível início do afrouxamento monetário. No dia 28, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por manter a taxa Selic em 15% ao ano, marcando a quinta manutenção consecutiva.
No comunicado oficial, o Comitê reintroduziu o ‘forward guidance’, indicando que pretende reduzir os juros na próxima reunião, prevista para março. De acordo com a nota, “O Comitê antecipa que, se o cenário esperado se confirmar, pode iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, mas reforça que sustentará a restrição necessária para garantir que a inflação converja para a meta.”
Além disso, os membros do colegiado enfatizaram que a magnitude e o ritmo dos cortes dependerão da evolução de fatores que aumentem a confiança na possibilidade de se alcançar a meta de inflação dentro do horizonte que é relevante para as decisões de política monetária. Esta sinalização de início de afrouxamento monetário foi acompanhada por um aumento nas apostas de um corte de 0,50 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,50% em março, segundo a curva de juros futuros brasileira.
Adicionalmente, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apresentou resultados abaixo do esperado, e novas pesquisas eleitorais também foram objeto de atenção por parte dos investidores.
Altas e Quedas do Ibovespa
As perdas do Ibovespa foram atenuadas pelos chamados ‘pesos-pesados’ da bolsa. As ações da Vale (VALE3) mantiveram-se em trajetória de valorização, encerrando o dia em leve alta em resposta ao movimento do minério de ferro. O contrato mais líquido do mineral na Dalian Commodity Exchange, na China, fechou com um avanço de 1,78%, cotado a 798,5 yuans (US$ 114,95) por tonelada.
As ações da mineradora Vale foram as mais negociadas na B3, atingindo um volume superior a R$ 3,5 milhões em transações. Já a Petrobras (PETR4) registrou sua décima alta consecutiva, com um aumento superior a 1%, também em sintonia com o desempenho das commodities. O contrato mais ativo do petróleo Brent, para abril, encerrou suas negociações com um aumento de 3,29%, sendo negociado a US$ 69,59 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
As ações de bancos, Vale e Petrobras juntas representam 50% da carteira teórica do Ibovespa. No lado positivo da negociação, destacou-se a Prio (PRIO3), que apresentou alta de quase 2%, acompanhando a valorização robusta do petróleo. Em contrapartida, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) ocupou a ponta negativa, com uma queda superior a 5%.
Cenário Internacional
Os índices de Wall Street fecharam em uma tonalidade mista. A queda acentuada nas ações da Microsoft, em virtude do crescente temor de uma possível ‘bolha de inteligência artificial’, e o risco de um novo ‘shutdown’ aumentaram a aversão ao risco entre os investidores. Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,11%, terminando em 49.071,56 pontos;
- S&P 500: -0,13%, com fechamento a 6.969,01 pontos;
- Nasdaq: -0,72%, registrando 23.685,12 pontos.
No cenário europeu, os principais índices encerraram o dia sem uma direção clara, reagindo a balanços corporativos. O índice pan-europeu Stoxx 600 apresentou um recuo de 0,23%, fechando a 607,14 pontos.
Na Ásia, os índices finalizaram o dia em alta com a manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,03%, fechando em 53.375,60 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, registrou um ganho de 0,51%, encerrando o dia a 27.968,09 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br


