Queda do Ibovespa
Após uma sessão marcada por otimismo no dia anterior, o Ibovespa (IBOV) registrou uma perda superior a 4 mil pontos nas primeiras horas do pregão desta quinta-feira, dia 5. Esta movimentação reflete as incertezas no cenário global, especialmente em decorrência do conflito no Oriente Médio, que influenciou negativamente o humor nos mercados de Wall Street e nas bolsas europeias.
Dados do Índice e Dólar
Por volta de 13h11 (horário de Brasília), o IBOV apresentava uma queda de 2,43%, alcançando 180.866,47 pontos. O dólar à vista, por sua vez, teve um aumento de 1,21%, cotado a R$ 5,2814. Durante a mínima intradia, o índice chegou a recuar até 2,46%, atingindo 180.810,44 pontos.
Escalada do Conflito no Oriente Médio
O conflito no Irã, que teve início com ataques coordenados entre os Estados Unidos e Israel no último sábado, dia 28, aproxima-se de seu sexto dia, intensificando a tensão na região. Na manhã desta quinta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã informou que atingiu um petroleiro pertencente aos Estados Unidos na parte norte do Golfo, resultando em um incêndio na embarcação.
Além disso, a Guarda Revolucionária declarou, em um comunicado veiculado pela mídia estatal, que, em tempos de conflito, a passagem pelo Estreito de Ormuz está sob a supervisão da República Islâmica. Essa situação contribui para o aumento das incertezas referentes à duração do conflito, ao fechamento contínuo do Estreito de Ormuz – uma rota crucial para o transporte marítimo de petróleo – e às possíveis repercussões sobre a inflação.
Indicações de que os preços do petróleo bruto podem alcançar a marca de US$ 100 por barril geram preocupação nos mercados e redirecionam a atenção dos investidores para uma possível resolução do conflito.
Cenário Econômico Doméstico
Considerando o aumento dos preços do petróleo e da energia, os receios acerca de uma pressão inflacionária maior começam a ser discutidos novamente. Os contratos de juros futuros registraram alta, em face de uma expectativa de diminuição menos acentuada da Selic em março, em decorrência do aumento das incertezas globais.
Durante um evento do Goldman Sachs, Nilton David, diretor de política monetária do Banco Central, comentou que a instituição deve proceder com cautela, considerando o aumento das incertezas no cenário global. Ele enfatizou que a postura do Banco Central requer “serenidade”, embora isso não implique inatividade.
Impactos do Conflito no Oriente Médio
Nilton destacou que o conflito no Oriente Médio apresenta questões significativas para a economia, principalmente no que se refere aos impactos do preço do petróleo sobre a inflação. “É natural considerar que, quando os preços do petróleo aumentam, há uma pressão inflacionária, mas não sabemos o quanto essa pressão vai durar”, afirmou.
Dados de Emprego no Brasil
Recentemente, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego brasileira se manteve em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, um número que não apresentou mudanças em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2025, quando também foi registrado 5,4%. A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, explicou que, ao se realizar um ajuste sazonal – que elimina influências pontuais do calendário e permite uma melhor análise de tendências – a taxa manteve-se em 5,4%, sendo esse o menor patamar em toda a série histórica.
Segundo Claudia, “os dados, em conjunto com outros indicadores, sugerem que o mercado de trabalho no Brasil continua aquecido”.
Desempenho das Petroleiras
Entre as 85 ações que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa, apenas oito estavam operando em alta. Na quinta-feira, dia 5, o petróleo Brent apresentou uma elevação de quase 4%, com o barril sendo negociado acima de US$ 84,50.
Por volta de 12h59 (horário de Brasília), a ação da Braskem (BRKM5) se destacou, liderando os ganhos do Ibovespa com um aumento de 8,75%, cotada a R$ 11,81. A seguir, apareceram Prio (PRIO3), com um ganho de 3,17%, a R$ 57,28, e PetroReconcavo (RECV3), que avançou 1,76%, alcançando R$ 12,72.
Em contrapartida, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) apresentaram recuo de 0,79%, cotadas a R$ 43,71 e R$ 40,18, respectivamente, refletindo uma postura cautelosa do mercado à espera da divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) da empresa.
Fonte: www.moneytimes.com.br